Governo dos EUA deve encaminhar proposta sobre tarifaço até a próxima semana, diz ministro
Brasil questiona base legal para decisão do governo Trump que, em julho passado, impôs sobretaxa de até 37,5% sobre a importação de uma série de produtos brasileiros
O governo brasileiro espera receber até a próxima semana uma proposta dos EUA para negociar as tarifas de até 37,5% impostas a produtos nacionais, segundo o ministro Márcio Elias Rosa (Mdic). A medida americana motivou queixa do Brasil na OMC e reduziu as exportações ao país em 6,5% em 2026, gerando déficit de US$ 4,33 bilhões. O ministro afirmou que o documento deve indicar setores para redução tarifária e descartou impactos das eleições de meio de mandato norte-americanas nas negociações.
BRASÍLIA - O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, afirmou que a expectativa do governo brasileiro é receber até a próxima semana uma proposta dos americanos de um possível acordo sobre as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Em 30 de setembro, os ministros Mauro Vieira (MRE) e Márcio Elias Rosa (MDIC) tiveram uma reunião com o representante comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), embaixador Jamieson Greer, às margens da reunião de ministros de comércio do G-20, em Milwaukee.
Na ocasião, as autoridades norte-americanas ficaram de encaminhar um esboço de proposta para um futuro acordo dentro de quatro semanas.
"Eu imagino que a partir dessa semana ou na outra o Brasil deve receber o documento (dos EUA). A informação que eu tenho é que eles estão trabalhando no documento para nos encaminhar, porque, independentemente da discussão política, nós tivemos conversas informais nesse período e eles, de fato, estão trabalhando nisso", disse Márcio Elias a jornalistas.
O ministro participou da abertura do seminário Implementação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, nesta terça-feira, 3, na Câmara dos Deputados.
"Quando a gente negocia um acordo dessa natureza comercial, de uma parte surge uma proposta e nós fazemos as ofertas. Então, eles (americanos) devem nos encaminhar a proposta de um acordo dizendo basicamente quais são os setores que eles gostariam de ter oferta de redução, por exemplo, de tarifa e nós responderemos na sequência. Mas não tem nenhuma antecipação do mérito do conteúdo ainda", prosseguiu o titular do MDIC.
O Brasil questiona a base legal para decisão do governo Donald Trump que, em julho passado, impôs tarifaço de até 37,5% sobre a importação de uma série de produtos brasileiros.
Desse porcentual, 25% foram aplicados com base em supostas práticas anticompetitivas pelo Brasil e um adicional de 12,5% foram direcionados ao Brasil e outros 59 países países, sob alegação de falha das economias em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado. O País levou a discussão à Organização Mundial do Comércio (OMC), ainda sem desdobramentos.
Questionado se o resultado das eleições de meio de mandato nos EUA vão impactar nas discussões em relação às tarifas, o ministro Márcio Elias Rosa respondeu negativamente. "Não, nada, não muda absolutamente. O Brasil segue no seu percurso, tem muito trabalho para fazer e o povo norte-americano é que define as eleições".
Como vem sendo mostrado pelo Estadão/Broadcast, as vendas aos EUA têm caído desde o primeiro tarifaço, anunciado em agosto de 2025. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as exportações para os EUA caíram 6,5%, ante igual período do ano anterior, para US$ 27,46 bilhões.
As importações também recuaram, 7,1%, e totalizaram US$ 31,79 bilhões. O Brasil segue tendo déficit comercial com os EUA, de US$ 4,33 bilhões no acumulado deste ano.
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