Ibovespa recua com cenário geopolítico
A bolsa paulista tinha um viés negativo nesta segunda-feira, com o cenário geopolítico minando o humor de investidores, embora o desempenho robusto da blue chip Petrobras atenuasse a queda do Ibovespa.
Por volta de 11h20, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 0,78%, a 172.428,15 pontos. O volume financeiro somava R$6,57 bilhões.
A semana começou com os preços do petróleo em alta no exterior após Irã e Estados Unidos trocarem ataques e Israel ordenar que as tropas avançassem mais no Líbano em sua batalha contra o grupo militante Hezbollah, que é apoiado por Teerã.
As cotações da commodity ampliaram o avanço após a agência de notícias iraniana Tasnim informar que a equipe de negociação do Irã suspendeu a troca de mensagens com os Estados Unidos por mediadores por causa de ataques no Líbano.
A agência disse que o Irã e a Frente de Resistência, que inclui seus aliados xiitas no Iêmen, Líbano e Iraque, estabeleceram uma agenda para bloquear completamente o Estreito de Ormuz e ativar outras frentes a fim de "punir" Israel e seus apoiadores.
O barril sob o contrato Brent avançava 6,32%, a US$96,88.
Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, rondava a estabilidade, perto do recorde registrado na última semana.
Analistas do BB Investimentos adotaram uma postura mais cautelosa em relação ao desempenho da bolsa brasileira nos próximos meses, citando um ambiente macro mais desafiador e mudança relevante na dinâmica de fluxo de capital estrangeiro.
"Com o agravamento dos conflitos no Oriente Médio, houve pressão adicional sobre os preços de energia e sobre a inflação global, elevando as incertezas em torno da política monetária nas principais economias", afirmaram em relatório a clientes.
"Esse cenário levou à revisão das expectativas de cortes de juros, fortalecimento do dólar e aumento da aversão a risco, impactando diretamente os ativos de mercados emergentes, incluindo o Brasil."
DESTAQUES
• PETROBRAS subia 1,88% e PETROBRAS ON avançava 2,76%, endossadas pela alta dos preços do petróleo no exterior. A estatal também anunciou no domingo uma redução de 9,59% no litro do diesel A para as distribuidoras. Nesta segunda-feira, informou um corte de 14,2% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras.
• VALE ON recuava 2,1%, acompanhando a fraqueza dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian caiu 0,19%. No setor, CSN ON era o destaque negativo, com declínio de 6,71%, seguida por CSN MINERAÇÃO ON, com queda de 4,08%, USIMINAS PNA, com recuo de 2,17%, e GERDAU PN, com decréscimo de 0,48%.
• ITAÚ UNIBANCO PN caía 1,11%, com o setor como um todo com sinal negativo. Investidores continuam analisando potenciais reflexos no setor após os EUA designarem as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. BRADESCO PN cedia 1,07%, BANCO DO BRASIL ON perdia 0,89% e SANTANDER BRASIL UNIT recuava 0,44%. BTG PACTUAL UNIT caía 2,12%.
• VIVARA ON era negociada em baixa de 2,84%, no quinto pregão seguido de queda, tocando mínima intradia desde maio de 2025. Na visão de analistas do Citi, conforme relatório na semana passada, investidores precisarão observar maior consistência na execução, ausência de novas trocas na gestão e um ambiente operacional mais estável antes de se sentirem mais confortáveis em atribuir um múltiplo mais elevado à Vivara.
• TOTVS ON valorizava-se 3,27%, engatando o terceiro pregão seguido, com analistas do UBS BB avaliando que o movimento da semana passada acompanhou o desempenho robusto global do setor de software. Eles avaliam que um dos principais motores para a performance do setor foi o resultado trimestral da Snowflake. Para o UBS BB, porém, investidores podem precisar de mais evidências relacionadas à IA nos próximos resultados para recuperar a confiança no setor.
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