Dólar tem baixa leve após pesquisas reforçarem disputa acirrada entre Lula e Flávio
O dólar abriu em baixa nesta terça-feira, cotado a R$ 5,1171, influenciado por pesquisas eleitorais que apontam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno. A reação do mercado reflete a preferência de parte dos investidores pelo senador, ante temores fiscais sob o atual governo. Em paralelo, o mercado acompanha a crise no STF, onde o ministro André Mendonça afastou o diretor-geral da PF em meio a um embate com Alexandre de Moraes, fator que também afeta a disputa presidencial.
O dólar iniciou a terça-feira pós-feriado em baixa no Brasil, após novas pesquisas reforçarem cenário de disputa acirrada no segundo turno da eleição presidencial de outubro, enquanto no exterior a moeda norte-americana exibia sinais mistos ante as demais divisas de países emergentes.
Às 9h39, o dólar à vista caía 0,24%, a R$5,1171 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para outubro -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,20%, aos R$5,1430.
Na segunda-feira, quando o mercado no Brasil esteve fechado em função do Dia da Independência, a pesquisa Quaest mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) têm 41% das intenções de voto cada um no segundo turno da disputa pelo Planalto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, Lula tinha 42% e Flávio somava 41%.
Já a pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira mostrou que Flávio passou a ter vantagem numérica sobre Lula no segundo turno. O senador soma 46% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão empatados tecnicamente. Na pesquisa anterior, Flávio tinha 45% e Lula somava 46%.
Em sessões recentes, outras pesquisas mostrando o acirramento da disputa pelo Planalto trouxeram um viés de baixa para o dólar ante o real. Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio -- como a eliminação da diferença para Lula no segundo turno -- têm favorecido a queda do dólar.
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) é outro ponto de atenção entre os investidores. Nesta terça-feira o ministro André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada. Além disso, pediu a convocação de uma sessão extraordinária da Segunda Turma do STF ainda nesta terça-feira para avaliar a decisão.
Relator do caso do Banco Master, Mendonça tem travado um embate com o ministro Alexandre de Moraes no STF, em que cada um tem levantado suspeitas contra o outro. Moraes se baseou na quinta-feira passada em relatórios de inteligência produzidos pela PF, comandada por Andrei Rodrigues, para pedir investigações contra Mendonça.
O embate no STF ganhou importância para a disputa eleitoral e, em paralelo, para os mercados no Brasil. Isso porque Flávio é um dos maiores críticos de Moraes, que foi relator no STF do processo de tentativa de golpe de Estado que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No exterior, o dólar sustentava ganhos ante o peso colombiano e o peso mexicano nesta manhã, mas cedia ante o peso chileno e o sol peruano. Às 9h33, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- subia 0,08%, a 98,909.
Às 11h30, o Banco Central realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de outubro.
O dólar à vista encerrou a sessão de sexta-feira com alta de 0,50%, aos R$5,1296.
(Edição de Isabel Versiani)
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