LFTB11 ou Tesouro Selic: qual escolher?
O Tesouro Selic e o ETF LFTB11 são opções de renda fixa baseadas em títulos públicos, mas com propostas distintas. O Tesouro Selic oferece exposição direta e conservadora aos juros básicos, com imposto regressivo de 22,5% a 15%. Já o LFTB11 combina papéis pós-fixados e atrelados à inflação, o que gera maior volatilidade, mas tem alíquota fixa de 15% de IR independente do prazo, sem IOF. Assim, o Tesouro atende a objetivos conservadores, enquanto o ETF foca em diversificação com vantagem fiscal rápida.
Com a Selic ainda em patamar elevado, o Tesouro Selic segue entre as alternativas mais procuradas por investidores que buscam renda fixa e menor exposição à volatilidade. Mas quem quer investir em títulos públicos também pode optar por ETFs negociados em bolsa, como o LFTB11, da Investo.
Embora tenham títulos públicos como base, os dois investimentos possuem diferenças importantes. O Tesouro Selic oferece exposição direta à taxa básica de juros, enquanto o LFTB11 reúne títulos pós-fixados e papéis atrelados à inflação em uma única carteira. O ETF também tem uma regra de tributação diferente, que pode favorecer o investidor em determinados prazos.
Como funciona o LFTB11?
O LFTB11 é um ETF de renda fixa que busca acompanhar o MarketVector Brazil Treasury 760 Day Target Duration Index. O indicador procura manter a duration da carteira próxima de 760 dias, ou pouco mais de dois anos.
Na prática, o fundo permite investir em uma cesta de títulos públicos por meio da compra de cotas negociadas na B3. A taxa de administração é de 0,19% ao ano.
A carteira é formada principalmente por Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos cuja remuneração acompanha a Selic. Mas o fundo também possui exposição a títulos indexados ao IPCA.
Na composição divulgada pela Investo em agosto de 2026, por exemplo, uma NTN-B com vencimento em 2060 representava 9,09% da carteira. Entre os demais principais ativos estavam LFTs com vencimentos entre 2027 e 2032.
Essa composição é uma das principais diferenças em relação ao Tesouro Selic.
Tesouro Selic acompanha a taxa de juros
Quem compra Tesouro Selic diretamente pelo Tesouro Direto está investindo em um título público cuja remuneração é vinculada à Selic.
O produto é indicado principalmente para quem busca uma aplicação pós-fixada e quer acompanhar a evolução dos juros brasileiros. O investidor também pode escolher entre os títulos disponíveis e carregá-los até o vencimento ou vendê-los antecipadamente.
No caso de uma venda antes do vencimento, o preço do título pode sofrer os efeitos da marcação a mercado. Ainda assim, por ser um papel pós-fixado, o Tesouro Selic tende a ter menor sensibilidade às oscilações das taxas de juros do que títulos prefixados ou papéis de inflação de prazo mais longo.
O LFTB11, por outro lado, tem uma duration-alvo maior e mantém exposição a NTN-Bs. Com isso, sua cota pode oscilar mais diante de mudanças nas expectativas para os juros reais.
LFTB11 tem vantagem tributária?
A tributação é um dos principais pontos de diferença entre os dois investimentos.
No Tesouro Selic, o Imposto de Renda segue a tabela regressiva da renda fixa. A alíquota é de 22,5% para aplicações de até 180 dias e diminui gradualmente até chegar a 15% para investimentos mantidos por mais de 720 dias.
No LFTB11, a alíquota é de 15% sobre o ganho de capital, independentemente do prazo de permanência do investidor. O imposto é retido na fonte.
Isso pode fazer diferença principalmente para quem pretende manter o investimento por menos de dois anos. Um investidor que venda cotas do LFTB11 antes de completar 720 dias, por exemplo, continua sujeito à alíquota de 15%, enquanto uma aplicação tradicional em Tesouro Selic estaria sujeita a uma alíquota maior.
O ETF também não está sujeito ao come-cotas e não há cobrança de IOF sobre as operações, segundo a Investo.
Quanto o LFTB11 rendeu?
O LFTB11 acumulava valorização de 14,03% em 12 meses nos dados divulgados pela Investo. No acumulado de 2026, a alta era de 8,93%, enquanto o retorno desde o lançamento, em outubro de 2024, chegava a 25,71%. Em uma janela de um mês, o ETF registrava valorização de 1,20%.
O fundo tinha patrimônio líquido de R$ 5,42 bilhões e cota de R$ 125,71 em 31/8/2026, data-base dos dados.
A rentabilidade divulgada corresponde à variação da cota patrimonial e não representa necessariamente o retorno líquido obtido por cada investidor. O resultado efetivo depende, entre outros fatores, do preço de compra e venda das cotas, da tributação e dos custos da operação.
Qual é mais indicado para cada investidor?
A diferença entre os produtos fica mais clara quando se considera o objetivo do investimento.
O Tesouro Selic tende a fazer mais sentido para quem quer uma exposição simples à taxa básica de juros, com um investimento diretamente ligado à Selic. Por essa característica, também é uma alternativa bastante utilizada para objetivos de curto prazo e para a parcela mais conservadora de uma carteira.
O LFTB11 pode interessar ao investidor que quer uma carteira diversificada de títulos públicos em uma única cota e aceita uma exposição adicional a títulos atrelados à inflação. A tributação de 15% independentemente do prazo também pode ser um diferencial para determinados horizontes de investimento.
Por outro lado, a presença de títulos IPCA+ e a duration da carteira fazem com que o LFTB11 esteja mais sujeito às oscilações do mercado de juros.
Em um cenário de queda dos juros reais, essa característica pode contribuir para a valorização das cotas. Em um movimento contrário, pode pressionar o preço do ETF.
No fim, a escolha depende do papel que o investimento terá na carteira. Para quem prioriza simplicidade e exposição à Selic, o Tesouro Selic pode ser suficiente. Para quem busca diversificação entre títulos públicos, quer aproveitar a tributação de 15% e aceita maior oscilação, o LFTB11 pode ser uma alternativa a considerar.
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