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Vitória da AfD na Saxônia-Anhalt preocupa setor empresarial alemão

8 set 2026 - 08h46
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Resumo
A vitória eleitoral da legenda de extrema direita AfD na Saxônia-Anhalt gerou forte preocupação no setor empresarial alemão. Entidades e economistas alertam que as políticas anti-imigração do partido podem afastar mão de obra estrangeira qualificada, agravando a escassez de trabalhadores numa região já envelhecida. Há também receios de fuga de empresas e ameaças à transição energética local, levando empresários a cobrar reformas estruturais urgentes do governo federal para manter a competitividade.

Associações expressam temor de que profissionais estrangeiros evitem ou até mesmo deixem o estado e lembram que Alemanha depende do mercado da UE.Após o sucesso eleitoral do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) no estado alemão da Saxônia-Anhalt, associações empresariais da Alemanha alertaram para as possíveis consequências de um governo estadual liderado pelo partido, que naquele estado é considerado, pelas autoridades locais de vigilância da Constituição, como sendo comprovadamente extremista de direita.

Siegmund, da AfD, minimizou, após a vitória eleitoral, os alertas sobre uma possível queda nos investimentos na Saxônia-Anhalt
Siegmund, da AfD, minimizou, após a vitória eleitoral, os alertas sobre uma possível queda nos investimentos na Saxônia-Anhalt
Foto: DW / Deutsche Welle

A associação comercial HDE afirmou que a economia depende do mercado interno da União Europeia (UE) e da livre circulação de pessoas. "Uma política de isolamento e exclusão é o caminho errado", afirmou o presidente da HDE, Alexander von Preen. Ele lembrou que a situação econômica da Alemanha não é boa. Porém, está enganado quem acredita que a melhor maneira para resolver os problemas é agir de forma isolada como nação.

A Associação Econômica da Baviera (VBW) destacou que o resultado eleitoral deve servir de alerta para todos. Os custos do trabalho e da energia precisam ser reduzidos, assim como a burocracia. "A AfD causa enormes prejuízos às empresas na Alemanha."

Já o candidato a governador da AfD, Ulrich Siegmund, minimizou nesta segunda-feira (07/09), após a vitória eleitoral, os alertas sobre uma possível queda nos investimentos na Saxônia-Anhalt. "Há muitas ofertas e conversas concretas com empresários que vêm ocorrendo há vários meses", declarou.

Escassez de mão de obra qualificada

O que mais preocupa as associações empresariais alemãs é a escassez de profissionais qualificados devido à possível redução da imigração de trabalhadores, conforme explicaram a associação comercial HDE e a associação dos fabricantes de máquinas industriais (VDMA).

O comércio varejista, por exemplo, depende da imigração para suprir suas necessidades de pessoal, salientou Von Preen. "As eleições na Saxônia-Anhalt foram acompanhadas internacionalmente com grande atenção", declarou. "Temo um grande prejuízo para a Alemanha como local de negócios se profissionais qualificados do exterior passarem a evitar o país por receio de vir para cá."

A VDMA ressaltou que a Saxônia-Anhalt já possui a estrutura populacional mais envelhecida da Alemanha. "Dentro de nove anos, haverá cerca de 12% menos pessoas economicamente ativas disponíveis para o mercado de trabalho."

Garantir mão de obra qualificada também do exterior não é apenas uma questão de longo prazo, mas uma necessidade urgente para assegurar a competitividade da região. "Muitas vagas abertas devido a aposentadorias já não podem ser preenchidas hoje, ou apenas com atraso. A atração de profissionais qualificados do exterior não é apenas uma questão para o futuro, mas uma tarefa urgente para garantir a permanência das empresas na região."

Prejuízos para a Saxônia-Anhalt

O economista Wido Geis-Thöne, do instituto econômico IW, avaliou que o principal prejudicado por uma política hostil à migração seria o próprio estado. "A Saxônia-Anhalt se tornaria significativamente menos atraente para profissionais estrangeiros qualificados, independentemente de haver ou não mudanças jurídicas efetivas para eles."

O presidente do instituto econômico DIW, Marcel Fratzscher, acrescentou que um governo estadual controverso ou fraco, somado à polarização da campanha eleitoral, provavelmente vai acelerar a saída de pessoas e empresas da Saxônia-Anhalt, "piorando significativamente a situação econômica do estado."

Para o diretor do instituto econômico HWWI, Michael Berlemann, os efeitos indiretos da política antimigratória anunciada pela AfD são particularmente problemáticos. As medidas propostas fariam com que "muitos profissionais qualificados, especialmente necessários nas áreas de saúde e assistência, gastronomia e turismo, indústria alimentícia, agricultura, construção civil e logística, passassem a evitar o estado."

Isso agravaria ainda mais a escassez de mão de obra qualificada e ampliaria a defasagem econômica da Saxônia-Anhalt, disse.

Transição energética

A presidente da associação das energias renováveis, Ursula Heinen-Esser, considera que a transição energética estaria "seriamente ameaçada" caso a AfD participasse do governo estadual, que ainda não está definido. "O que está claro, porém, é que quem frear esse setor econômico dificultará investimentos futuros e colocará em risco empregos e prosperidade."

A AfD defende reverter a transição energética na Saxônia-Anhalt com propostas como bloquear a expansão da energia eólica, retornar à energia nuclear e manter a geração de energia a partir do carvão.

Mas economistas dizem que a Saxônia-Anhalt é atraente para investidores devido à alta participação das energias renováveis na geração de energia. A Saxônia-Anhalt e o estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, também no Leste Alemão, são líderes em energias renováveis na Alemanha. Segundo dados oficiais, mais de 60% da eletricidade gerada na Saxônia-Anhalt provém dessas fontes. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o percentual é ainda maior, ultrapassando os 80%. Assim, ambos os estados estão bem acima da média nacional, de 53,3%.

Para o diretor-geral da associação das empresas certificadoras TÜV, Joachim Bühler, a votação da AfD na Saxônia-Anhalt não altera o fato de que "políticas ambientais e climáticas modernas, a transição para novos sistemas de propulsão, energias renováveis e tecnologias digitais são o futuro da Alemanha e da Saxônia-Anhalt".

Levar as reformas adiante

A VDMA classificou o resultado eleitoral como alarmante e afirmou que ele representa um claro chamado à ação para o governo federal, formado pelas conservadoras União Democrata-Cristã (CDU) e União Social-Cristã (CSU) e pelo Partido Social-Democrata (SPD). O governo deve finalmente implementar as reformas planejadas e colocar a competitividade da Alemanha em primeiro lugar.

Também Fratzscher, do DIW, declarou que o resultado da eleição foi "sobretudo um voto de desconfiança contra o governo federal". Como consequência, "o governo deve mudar de rumo e implementar reformas estruturais profundas em áreas como subsídios, burocracia, impostos, sistema de seguridade social e política europeia".

A diretora-executiva da Federação das Indústrias Alemãs (BDI), Tanja Gönner, compartilha dessa visão. Após a eleição estadual, ela pediu ao governo federal mais determinação na sua política de reformas. "A resposta a este resultado eleitoral não pode ser a paralisação política em nível federal."

Segundo ela, o governo deve implementar e ampliar de forma consistente uma agenda de reformas voltada para mais investimentos, inovação e crescimento, pois "as receitas dos partidos radicais são inadequadas para isso". O centro político precisa demonstrar capacidade de ação. É necessária uma política orientada para competitividade e crescimento tanto nos estados quanto no governo federal. Um resultado eleitoral estadual não deve desviar a atenção desse objetivo, destacou.

A coalizão entre CDU/CSU e SPD planeja mudanças amplas nas áreas de saúde e assistência social, no sistema previdenciário e também uma reforma do imposto de renda.

as/cn (Reuters, AFP, DPA)

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