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Justiça Federal suspende licenças da mina da Sigma Lithium em Minas Gerais

6 set 2026 - 12h54
(atualizado em 8/9/2026 às 20h50)
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Resumo
A Justiça Federal suspendeu as licenças e operações da mina de lítio da Sigma Lithium em Minas Gerais após ação quilombola. A decisão considerou que o projeto atinge a Comunidade de Baú sem a consulta prévia obrigatória, gerando riscos por detonações constantes a menos de 3 km do território tradicional. Uma perícia verificará a distância exata da área afetada. A mineradora afirmou que não foi formalmente notificada, contestará a decisão preliminar na Justiça e segue operando a mina.

Um ‌juiz federal em Minas Gerais determinou a suspensão das licenças ambientais e das atividades de mineração da Sigma Lithium na mina Grota do Cirilo, conforme revelou uma decisão à qual a Reuters teve acesso.

A decisão foi tomada na sexta-feira em uma ação ⁠civil movida pela Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de ‌Minas Gerais, na qual o grupo alegou que o projeto da mineradora se situava na área de influência direta da ‌Comunidade Quilombola de Baú.

Os quilombolas são ‌comunidades tradicionais de ascendência africana, formadas por pessoas que ⁠escaparam da escravidão. Seus territórios são protegidos pelo Estado, e o processo de licenciamento é mais abrangente para projetos que possam afetá-los.

O juiz Antônio Lúcio Tulio de Oliveira Barbosa afirmou que havia provas suficientes de que o território de Baú se ‌encontrava na área de influência do projeto, o que aciona a ‌obrigação de procedimentos ⁠que incluem uma ⁠consulta livre, prévia e informada com a comunidade.

O juiz afirmou que havia ⁠risco de dano à comunidade, ‌uma vez que o ‌complexo de mineração da Sigma realizava "constantes detonações de explosivos e movimentação de terras a poucos quilômetros de distância do território tradicional".

O juiz citou estudos que indicam que o ⁠território fica a cerca de 2,7km da área diretamente afetada pelo projeto, bem dentro do limite de 8km que aciona o processo mais abrangente.

A Sigma argumentou que o projeto se encontra fora da zona de ‌impacto. O tribunal ordenou uma análise por um perito independente em georreferenciamento para determinar a distância exata entre o projeto ⁠e o território quilombola.

Além de suspender as licenças ambientais, a decisão proíbe o Estado de Minas Gerais de conceder novas licenças e estabelece uma multa para a Sigma caso ela continue suas operações.

Em um comunicado divulgado na segunda-feira, a empresa informou que continua operando a mina e que não foi notificada sobre o que classificou como "uma decisão judicial preliminar emitida sem o devido processo legal".

A companhia afirmou que iniciará sua defesa jurídica na terça-feira.

A mina, único ativo produtivo da Sigma, tem capacidade nominal de 330.000 toneladas de concentrado de óxido de lítio por ano.

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