Justiça Federal suspende licenças da mina da Sigma Lithium em Minas Gerais
A Justiça Federal suspendeu as licenças ambientais e as operações da mineradora Sigma Lithium na mina Grota do Cirilo, em Minas Gerais. A decisão atende a uma ação de comunidades quilombolas, já que o empreendimento atinge a área de influência do território tradicional de Baú sem a devida consulta prévia. Apontando riscos por detonações a menos de 3 km do local, a Justiça proibiu a concessão de novas licenças e fixou multa caso as atividades continuem. Uma perícia determinará a distância exata.
Um juiz federal em Minas Gerais determinou a suspensão das licenças ambientais e das atividades de mineração da Sigma Lithium na mina Grota do Cirilo, conforme revelou uma decisão à qual a Reuters teve acesso.
A decisão foi tomada na sexta-feira em uma ação civil movida pela Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais, na qual o grupo alegou que o projeto da mineradora se situava na área de influência direta da Comunidade Quilombola de Baú.
Os quilombolas são comunidades tradicionais de ascendência africana, formadas por pessoas que escaparam da escravidão. Seus territórios são protegidos pelo Estado, e o processo de licenciamento é mais abrangente para projetos que possam afetá-los.
O juiz Antônio Lúcio Tulio de Oliveira Barbosa afirmou que havia provas suficientes de que o território de Baú se encontrava na área de influência do projeto, o que aciona a obrigação de procedimentos que incluem uma consulta livre, prévia e informada com a comunidade.
O juiz afirmou que havia risco de dano à comunidade, uma vez que o complexo de mineração da Sigma realizava "constantes detonações de explosivos e movimentação de terras a poucos quilômetros de distância do território tradicional".
O juiz citou estudos que indicam que o território fica a cerca de 2,7km da área diretamente afetada pelo projeto, bem dentro do limite de 8km que aciona o processo mais abrangente.
A Sigma argumentou que o projeto se encontra fora da zona de impacto. O tribunal ordenou uma análise por um perito independente em georreferenciamento para determinar a distância exata entre o projeto e o território quilombola.
Além de suspender as licenças ambientais, a decisão proíbe o Estado de Minas Gerais de conceder novas licenças e estabelece uma multa para a Sigma caso ela continue suas operações.
A mina, único ativo produtivo da Sigma, tem capacidade nominal de 330.000 toneladas de concentrado de óxido de lítio por ano.
A Sigma não respondeu a um pedido de comentário feito fora do horário comercial.
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