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Dólar tem alta firme antes de feriado no Brasil em dia de tensão no Oriente Médio

3 jun 2026 - 17h09
(atualizado às 17h20)
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O dólar fechou ‌a quarta-feira pré-feriado em alta firme ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior após novos ataques de EUA e Irã no Oriente Médio.

Entre as moedas negociadas globalmente, o real foi a que teve pior desempenho, com as cotações refletindo também a busca ⁠pela segurança do dólar antes do feriado de Corpus Christi e o mal-estar ‌com a nova ameaça tarifária ao Brasil.

O dólar à vista encerrou com alta de 1,12%, aos R$5,0661. No ano, passou a acumular baixa de ‌7,70% ante o real.

Às 17h05, o dólar ‌futuro para julho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia ⁠1,12% na B3, aos R$5,0975.

Os EUA dispararam um míssil na terça-feira contra um navio-tanque que se dirigia ao Irã, enquanto as forças iranianas lançaram dois mísseis contra o Kuweit e três contra o Barein, que não atingiram seus alvos, conforme fontes norte-americanas.

As dúvidas sobre um possível acordo entre Irã e ‌EUA deram força ao dólar ante quase todas as demais divisas, incluindo pares ‌do real como o ⁠peso chileno, o ⁠rand sul-africano e a rupia indiana.

No Brasil, as cotações aceleraram à tarde em meio ao ⁠noticiário sobre as tarifas comerciais. Após ‌o Escritório de Comércio dos ‌Estados Unidos (USTR) defender uma cobrança de 25% sobre várias exportações brasileiras, o órgão propôs uma tarifa adicional de 10% ou 12,5% sobre vários países, incluindo o Brasil, por falhas no combate ao trabalho forçado. ⁠No caso brasileiro, a tarifa seria de 12,5%.

Ainda que as tarifas ainda precisem de aprovação, a percepção mais geral entre os agentes foi negativa, poucos dias depois de os EUA também designarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações ‌terroristas.

Após marcar a cotação mínima de R$5,0119 (+0,04%) às 9h03, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,0917 (+1,63%) às 15h38, com os investidores se ⁠posicionando antes do feriado de quinta-feira, quando o mercado brasileiro estará fechado.

Durante a sessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o anúncio de tarifas, após ter lançado na véspera uma ofensiva para colar na família Bolsonaro a culpa pela deterioração das relações entre Brasil e EUA.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado, é atualmente visto como o principal adversário de Lula na disputa pelo Planalto. Os anúncios sobre as organizações criminosas e sobre as novas tarifas ocorreram após encontro recente de Flávio com Trump, em Washington.

À tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$743 milhões em maio.

(Edição de Isabel Versiani)

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