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Ibovespa fecha em forte queda com aversão a risco global

3 jun 2026 - 17h18
(atualizado às 17h38)
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O Ibovespa fechou em forte queda nesta quarta-feira, ‌embalado pela maior aversão aos ativos de risco nos mercados globais após novos ataques envolvendo os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio, pressionando os preços do petróleo e as perspectivas para a inflação.      

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,22%, a 170.330,63 pontos, após marcar 170.007,55 na mínima e 174.192,19 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$28,52 bilhões.

O conflito no Oriente ⁠Médio se intensificou nesta quarta após o Irã atacar o Kuweit, atingindo um aeroporto e ferindo dezenas ‌de pessoas, ao mesmo tempo em que os EUA atacaram área perto do Estreito de Ormuz.

Os ataques geraram uma nova onda de tensão nos mercados globais, fazendo os preços do petróleo Brent subirem mais ‌de 2% ao longo da sessão, se aproximando dos US$100 ‌por barril. Em Nova York, as bolsas também fecharam no vermelho.

Para além da geopolítica, depois de ⁠defender uma cobrança de 25% sobre várias exportações brasileiras, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) propôs uma tarifa adicional de 10% ou 12,5% sobre vários países, incluindo o Brasil, por falhas no combate ao trabalho forçado. No caso do Brasil, a tarifa seria de 12,5%.

Durante reunião ministerial pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em seu discurso na reunião com ministros que foi surpreendido pela decisão ‌dos EUA de anunciar novas tarifas contra o Brasil, uma vez que os dois governos estavam em negociação, ‌e voltou a culpar a família ⁠Bolsonaro pelas ações do ⁠governo Trump.

Além disso, as recentes revisões altistas para a inflação doméstica, puxadas tanto pelo cenário externo quanto pelos indicadores ⁠de atividade domésticos mais fracos, azedaram ainda mais o humor ‌do investidor local, que se preparava ‌para o feriado de Corpus Christi. 

Nesse contexto, o Ibovespa registrou fortes quedas ao longo da sessão, que passaram dos 2%, chegando quase a perder o patamar dos 170 mil pontos nas mínimas do dia.

"A bolsa está simplesmente realizando tudo que subiu ontem e dando continuidade na sequência ⁠de quedas. Ela [a bolsa] ainda tem alvos para baixo. É o movimento normal, mas que também guarda relação com a deterioração do cenário da guerra e a piora na relação entre Brasil e Estados Unidos nas últimas semanas. Tudo isso faz com que o investidor não queira ficar posicionado", disse Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing.

DESTAQUES

• VALE ‌ON recuou 3,78%, em meio a queda do preço do minério de ferro na China arrastado pela redução das margens do aço e pelo enfraquecimento sazonal da demanda no país. O contrato mais negociado ⁠em Dalian caiu 0,57%.

• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 2,12%, em dia majoritariamente negativo para o setor. BRADESCO PN perdeu 2,14%, BANCO DO BRASIL ON teve queda de 1,81%, SANTANDER BRASIL UNIT registrou recuo de 2,34% e BTG PACTUAL UNIT perdeu 4,77%.

• PETROBRAS PN recuou 0,77% e PETROBRAS ON caiu 1,12%, contrariando a alta da commodity no exterior.

• COSAN ON recuava 7,73%, sendo um dos destaques negativos do índice. A Raízen divulgou que realizaria ainda nesta quarta-feira assembleias gerais de titulares de debêntures emitidas pela companhia e pela Raízen Energia para deliberar a respeito do plano de recuperação extrajudicial e outros assuntos de competência. Os papéis da empresa fecharam em alta de 2,63%.

• CSN ON caiu 6,31% e CSN MINERAÇÃO perdeu 5,86%, em linha com as perdas do minério de ferro na China.

• CYRELA ON teve queda de 6,67%, sendo um dos destaques negativos do pregão, em meio ao avanço dos juros futuros. DIRECIONAL ON caiu 6,89% e MRV ON perdeu 3,54%.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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