Dólar fecha perto da estabilidade no Brasil, mas acima dos R$5,25
Após acumular baixa de 4,39% em janeiro, o dólar fechou a segunda-feira próximo da estabilidade no Brasil, mas novamente acima dos R$5,25, com alguns investidores realizando os lucros recentes, enquanto no exterior a moeda norte-americana teve perdas firmes ante pares do real como o peso chileno e o peso mexicano.
O dólar à vista fechou o dia com leve alta de 0,18%, aos R$5,2577. No ano, a moeda acumula agora queda de 4,21%.
Às 17h07, o dólar futuro para março -- atualmente o mais líquido no Brasil -- cedia 0,06% na B3, aos R$2875.
Pela manhã o dólar chegou a ceder no Brasil, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana no exterior ante divisas pares do real, como o peso chileno, o peso mexicano e o peso colombiano. Na mínima intradia, o dólar à vista foi cotado a R$5,2371 (-0,21%) às 9h46.
Mas ainda pela manhã o dólar ganhou força ante o real, com alguns profissionais citando um movimento de realização de lucros após os recuos recentes.
"O dólar caiu (perto de) 4,5% em janeiro... Nenhuma moeda ganhou tanta força em janeiro (quanto o real)", pontuou no início da tarde Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital. "O real está performando mal aqui (nesta segunda-feira) em relação aos pares por conta deste movimento de janeiro", acrescentou.
Além disso, a manhã foi marcada pela queda dos preços de commodities importantes na pauta exportadora brasileira, como o minério de ferro e o petróleo -- neste caso, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o Irã estava "conversando seriamente" com Washington, sinalizando uma redução das tensões entre os dois países.
Às 11h20, o dólar à vista atingiu a cotação máxima de R$5,2815 (+0,64%), para depois se reaproximar da estabilidade.
"O dólar está meio de lado hoje, está digerindo um pouco do que houve semana passada, que foi uma semana agitada", comentou à tarde Alexandre Viotto, head de banking da EQI.
Apesar do movimento do dia, Viotto afirmou que não é improvável que o dólar teste níveis mais próximos de R$5,00 nas próximas semanas, porque o enfraquecimento da moeda pode continuar até março.
"O cenário lá fora não é dos mais tranquilos com as questões geopolíticas, e por mais que a gente tenha a Selic em 15%, não vejo isso se mantendo para além de março. Além disso, temos a eleição presidencial", citou, em referência a fatores que tendem a pressionar o câmbio. "A partir de março, o cenário deve mudar."
No boletim Focus divulgado pela manhã, a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano seguiu em R$5,50, enquanto a expectativa para a taxa básica Selic permaneceu em 12,25% ao ano. Atualmente, a Selic está em 15%, mas o mercado vem precificando que o Banco Central iniciará em março o ciclo de cortes da taxa.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.
No fim da manhã o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de março.