Ibovespa começa fevereiro no azul com aval de NY; Petrobras recua
O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira, retomando a tendência positiva após duas quedas seguidas, embora o avanço tenha sido atenuado pelo recuo das ações da Petrobras, pressionadas pelo tombo dos preços do petróleo no exterior.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,79%, a 182.793,4 pontos, em movimento apoiado por Wall Street, após marcar 182.889,95 na máxima e 181.347,63 na mínima do dia.
O volume financeiro neste primeiro pregão de fevereiro somou R$28,6 bilhões.
Os últimos dois pregões de janeiro tiveram fechamento negativo, acumulando uma perda de 1,8%. Ainda assim, o mês apurou alta de 12,56%, melhor desempenho mensal desde novembro de 2020 e melhor janeiro desde 2006.
Estrangeiros tiveram papel fundamental para tal performance, com o saldo de capital externo positivo em R$25,3 bilhões até o dia 29.
De acordo com o analista Nícolas Merola, da EQI Research, na semana passada, foram destravados gatilhos relevantes, incluindo a escolha do novo chair do Federal Reserve e a sinalização pelo Banco Central brasileiro de corte da taxa Selic em março.
Ele destacou que desdobramentos relacionados a tais eventos tendem a continuar no radar, mas, olhando para a bolsa paulista, chamou a atenção também para a safra de resultados corporativos, que começa a ganhar fôlego com balanços de bancos nesta semana.
Wall Street endossou o sinal positivo na bolsa paulista, com o S&P 500, uma das referência do mercado acionário norte-americano, subindo 0,54%, a 6.976,44 pontos, com apoio de empresas relacionadas a inteligência artificial.
Estrategistas da XP destacaram que o Brasil emergiu como um dos principais beneficiários do "trade" global de rotação para fora dos ativos dos Estados Unidos, que sustentou um rali em ações de mercados emergentes, entre outros ativos.
"Acabamos de retornar de uma semana de reuniões com investidores na Europa e seguimos observando um sentimento construtivo em relação a mercados emergentes e ao Brasil", afirmaram em relatório a clientes.
DESTAQUES
- AXIA ON subiu 2,26%, tendo como pano de fundo decisão de estrategistas do BTG Pactual de incluir a ação na sua carteira de ações 10 SIM recomendada para fevereiro, destacando que a companhia, ex-Eletrobras, é principal beneficiária do cenário atual de preços mais altos da energia.
- ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,87% e BRADESCO PN fechou em alta de 1,27%, tendo no radar divulgação dos respectivos balanços nesta semana, com analistas também na expectativa das previsões desses bancos para o ano. Itaú divulga o seu balanço na quarta-feira, após o fechamento, enquanto Bradesco reporta na quinta-feira, também no final do dia. SANTANDER BRASIL UNIT, que mostra seu desempenho na quarta-feira antes da abertura, avançou 1,38%. Ainda no setor, BANCO DO BRASIL ON ganhou 0,32% e BTG PACTUAL UNIT avançou 1,95% -- ambos divulgam na próxima semana.
- VALE ON avançou 0,59%, após uma queda de 3,5% no último pregão. No domingo, a mineradora disse que o Ministério Público Federal pediu à Justiça a adoção de medidas liminares, incluindo o bloqueio patrimonial de R$1 bilhão, após extravasamento ocorrido recentemente na mina de Fábrica, em Ouro Preto (MG). A Vale disse que apresentará sua defesa dentro do prazo legal. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian encerrou o pregão diurno com queda de 1,26%.
- PETROBRAS PN caiu 1,38% e PETROBRAS ON recuou 1,98%, em pregão com petrolíferas na bolsa paulista pressionadas pelo forte declínio dos preços do petróleo no exterior, após fala do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o Irã estava "conversando seriamente" com Washington, e com a alta do dólar frente a outras divisas. A Opep+ também concordou no fim de semana em manter produção de petróleo inalterada. O barril de petróleo sob o contrato Brent fechou em baixa de 4,36%. A ANP também divulgou que a produção de petróleo do Brasil cresceu 12,3% em 2025.
- DIRECIONAL ON avançou 6,59%, em pregão positivo para construtoras, com o índice do setor imobiliário na B3 subindo 1,89%. Também na ponta positiva do Ibovespa estavam CURY ON, em alta de 5,44%, MRV&CO ON, com elevação de 2,6%, e CYRELA ON, com acréscimo de 2,44%. De acordo com reportagem de O Globo na última sexta-feira, o governo federal pretende aumentar o limite das faixas de renda do programa Minha Casa Minha Vida.
- RAÍZEN PN desabou 8,74%, engatando o terceiro pregão seguido de queda, após forte valorização no começo da semana passada -- +30% nas três primeiras sessões. Analistas do UBS BB reiteraram recomendação de venda para os papéis, com preço-alvo de R$0,80. Eles citaram que a companhia está passando por uma mudança estratégica, e que acreditam que ela caminha na direção correta, mas ponderaram que a transformação deve levar tempo e que a alavancagem continuará aumentando.
- ENEVA ON cedeu 0,57%, após a ANP aprovar desconto de 15% nas tarifas de transporte para contratos de 10 anos ou mais de participantes do leilão de reserva de capacidade em 2026. Isso beneficia geradores como a Petrobras, que possuem térmicas ligadas a gasodutos, e acirra a disputa por contratos para a Eneva, uma das principais interessadas no certame, que opera termelétricas junto a poços de exploração de gás ou a gás natural liquefeito.