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Em meio à crise, fintechs e bancos são aliados, não inimigos

Quando o mar está agitado, toda colaboração é mais do que bem-vinda

1 ago 2022 - 03h00
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Foto: Adobe Stock

É muito comum o pensamento de que bancos e fintechs são os novos inimigos mortais do mercado financeiro, e há razões contundentes para se pensar assim. Os bancos são instituições financeiras que existem há muito tempo, seguindo o mesmo formato tradicional. Além disso, têm grandes prédios e estruturas físicas que contribuem para uma imagem de solidez e estabilidade. Quem não se lembra de seus pais ou avós falando o quanto uma pessoa se deu bem na vida porque era “bancária”? 

As fintechs, entretanto, são estruturas financeiras recentes, que nasceram na efervescência do mundo digitalizado. Elas têm a tecnologia como pilar fundamental de todos os seus produtos e serviços, não costumam ter grandes estruturas físicas (o que reduz o seu custo de manutenção) e provavelmente seus avós não entendem como funcionam. 

Mas eu acredito que, ao invés de criar um abismo irreconciliável, as diferenças entre um tipo de negócio e outro podem transformar-se em pontos de complementaridade. Os bancos, por exemplo, justamente porque têm uma estrutura tão grande, existe a dificuldade em implementar soluções. Cada mínima alteração de planejamento exige a formação de conselhos, demanda a aprovação de cotistas e a adequação é lenta. 

As fintechs, no entanto, são menores e mais dinâmicas, não dependem de tanta burocracia. Por isso, as soluções podem ser propostas, testadas e implementadas muito mais rapidamente, porque existe agilidade para a tomada de decisão. Isso também permite antever os problemas e preveni-los. 

Como aplicar isso à nova realidade

Pensando nesses exemplos, faz sentido que os bancos implementem soluções já validadas por fintechs, ou que utilizem os fluxos de fintechs como exemplos para dinamizar seus processos burocráticos.

Outra coisa muito dispendiosa às fintechs é a utilização da tecnologia como princípio fundamental. A maioria delas permite que o cliente acesse todos os serviços financeiros e as vantagens disponíveis pelo smartphone, sem nunca precisar pisar os pés em uma agência, por exemplo. Essa, é claro, uma tendência global, os próprios bancos tradicionais já dispõem dessas funcionalidades. Mas acredito que se trata de uma questão cultural e até mesmo que envolva gerações. 

As fintechs estão cheias de jovens, nativos digitais, com uma mentalidade mais fresca para pensar na resolução de problemas a partir de tecnologias inovadoras. Os grandes bancos, entretanto, estão cheios de profissionais experientes, com vasto conhecimento no gerenciamento de crises e aptos a lidar com as intempéries da economia. Não é preciso muito esforço para imaginar como um grupo pode auxiliar o outro.

Os bancos são como grandes transatlânticos e as fintechs como jet skis. Se deseja alterar sua rota logo à frente, o navio precisa muito antes já começar a fazer a curva, enquanto o jet ski faz essa correção de trajeto em poucos segundos. Os “navios” podem encarar os “jet skis” como ameaças ou como aliados, é tudo uma questão de mentalidade. 

E isso parece que está ficando claro no mercado financeiro, em que muitos bancos têm incorporado as fintechs ou criado as suas próprias. 

O fato é que, quando o mar está agitado, toda colaboração é mais do que bem-vinda. 

(*) Hamilton Ribas é CEO da Limite na Hora, startup de empréstimos pessoais.

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