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BC mantém taxa básica de juros em 15% ao ano pela 5ª vez seguida e indica corte de juros em março

Copom diz que compromisso com a meta de inflação 'impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo' de cortes da Selic

28 jan 2026 - 18h42
(atualizado às 19h06)
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BRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 28, manter a taxa Selic em 15% ao ano. A decisão do colegiado foi unânime. O colegiado indicou, porém, que pode começar o processo de corte dos juros na próxima reunião, em março.

"O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", diz o comunicado da decisão.

O colegiado diz ainda que compromisso com a meta de inflação impõe "serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária".

BC mantém taxa básica de juros em 15% ao ano pela 5ª vez seguida em decisão unânime
BC mantém taxa básica de juros em 15% ao ano pela 5ª vez seguida em decisão unânime
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O resultado veio conforme previam 36 das 37 casas consultadas pelo Projeções Broadcast. A decisão do colegiado foi unânime.

Essa é a quinta reunião consecutiva em que a autarquia mantém o nível da Selic. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, o BC aumentou a taxa em 4,50 pontos, o segundo maior ciclo de alta dos últimos 20 anos, perdendo apenas para a alta de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, que ocorreu após o fim da pandemia.

No radar

O Copom afirma, no comunicado da sua mais recente decisão, que continua acompanhando impactos do "contexto geopolítico" na inflação brasileira.

"O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica", diz o comunicado.

Mais cedo, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) interrompeu o ciclo de cortes iniciado em setembro e manteve os juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano - apesar das pressões do presidente dos EUA, Donald Trump.

No comunicado, o comitê também repetiu que acompanha o impacto de "desenvolvimentos da política fiscal doméstica" na política monetária e nos preços de ativos. Segundo o Copom, o cenário doméstico continua marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência da atividade e pressões do mercado de trabalho. Isso exige cautela na política monetária.

"O conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência", disse o comitê. "Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação."

Juros reais

Com a manutenção da Selic em 15%, o Brasil continua com a segunda maior taxa de juros reais (descontada a inflação) do mundo, de 9,23%, segundo ranking do site MoneYou.

O País está atrás apenas da Rússia, com 9,88%. A Turquia aparece em terceiro lugar, com 6,45%. Depois, figuram no ranking México (5,39%) e Argentina (7,63%).

O BC calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil - que não estimula, nem deprime a economia - é de 5,0%.

Projeções de inflação

O Copom manteve sua projeção para a inflação acumulada em 12 meses até o fim do terceiro trimestre de 2027 em 3,2%. Na reunião desta quarta-feira, esse se tornou o horizonte relevante da política monetária.

A projeção segue ligeiramente acima do centro da meta, de 3%. Isso indica que a trajetória de juros embutida no relatório Focus é insuficiente para fazer a inflação convergir ao alvo no período de seis trimestres observado pelo BC. Hoje, as medianas indicam que a Selic estará em 12,25% no fim deste ano e vai cair a 10,50% no fim de 2027.

Ao justificar a decisão, o colegiado disse que os riscos para inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. O BC citou três riscos de alta da inflação: "uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada".

Entre os riscos de baixa, o Copom elencou "uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários".

A cotação do dólar usada pelo comitê nas suas projeções permaneceu em R$ 5,35. A mediana do Focus para o IPCA de 2026 passou de 4,16% na reunião anterior para 4,00% agora. Para 2027, permaneceu em 3,80%. A projeção do Copom para o IPCA acumulado em 2026 passou de 3,5% para 3,4%.

Todas as estimativas levam em conta a evolução da taxa de câmbio conforme a paridade do poder de compra (PPC), a trajetória da Selic embutida no relatório Focus e o preço do petróleo seguindo a curva futura por aproximadamente seis meses, passando a aumentar 2% ao ano posteriormente.

Também nesse cenário de referência, o Copom ajustou as suas projeções para a inflação de preços livres em 2026 (3,6% para 3,5%) e manteve em 3,1% no terceiro trimestre de 2027. A projeção para os preços administrados passou de 3,2% para 3,0% este ano e de 3,2% para 3,3% no horizonte relevante.

Estadão
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