Copom mantém Selic em 15% ao ano e empurra corte de juros para reunião de março
A decisão, unânime, ocorreu nesta quarta-feira, 28, na primeira reunião do colegiado em 2026
Copom manteve a taxa Selic em 15% ao ano na primeira reunião de 2026 e indicou possível flexibilização em março, reforçando o compromisso com o controle da inflação.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira, 28, na primeira reunião de 2026, manter a taxa Selic em 15% ao ano. Alvo de pressão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para baixar os juros, o colegiado optou pela manutenção em decisão unânime e empurrou o corte de juros para a reunião de março.
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No comunicado, o Comitê afirmou que pode iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, em março, porém reforçou que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.
"O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária", disse o Copom.
Como a taxa Selic afeta o consumo?
A taxa definida pelo Banco Central afeta a maioria das taxas de juros da economia, já que todos os bancos precisam negociar títulos diariamente no Selic para manter seus negócios - incluindo a concessão de empréstimos para seus clientes, que, geralmente, têm sempre juros acima da taxa básica.
Juros mais baixos reduzem o preço das parcelas mensais das compras a prazo e, portanto, incentivam o consumo das famílias. Também incentivam os investimentos das empresas, pois o custo mensal de um empréstimo para ampliar os negócios diminui.
Ao investir para expandir, eventualmente, as empresas contratam mais trabalhadores. Mais gente trabalhando reforça a renda das famílias, aumentando sua capacidade de consumir.
Juros mais elevados atuam na forma inversa - aumentam o preço das compras a prazo, desestimulam os investimentos das empresas e geram menos empregos, ou até levam ao fechamento de vagas, esfriando a demanda.
Quando a oferta é maior do que a demanda, os preços tendem a cair ou a subir menos; quando é menor do que a demanda, os preços tendem a subir mais. Por isso, o aquecimento da demanda tende a gerar mais inflação, enquanto seu esfriamento tende a moderar a subida de preços.