Brasil quer ampliar emissões no mercado internacional em 2026, com volta à Europa e entrada na China
Hoje, títulos atrelados ao câmbio representam pouco menos de 4% da dívida pública federal, enquanto meta de longo prazo prevê uma ampliação a nível mais próximo de 7%
BRASÍLIA - O Tesouro Nacional quer ter uma atuação mais frequente no mercado internacional, com novas emissões em moeda estrangeira, segundo o Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026. A ideia é que essas emissões sejam predominantemente em dólar, há estudos sobre outras divisas, como o euro e o yuan.
"O aumento da frequência e do volume de emissões em dólares americanos, combinada com a ampliação da inserção em diferentes segmentos globais, reforça o objetivo de aumentar a participação da dívida cambial até seu benchmark", diz o relatório, que foi divulgado nesta quarta-feira.
Hoje, os títulos atrelados ao câmbio representam pouco menos de 4% da Dívida Pública Federal (DPF), enquanto a meta de longo prazo prevê uma ampliação da participação a um nível mais próximo de 7%. Esse processo deve ocorrer gradualmente.
Segundo o órgão, a estratégia contempla a continuidade da emissão de títulos em dólares, com o objetivo de consolidar uma curva de juros soberana que sirva como parâmetro para governo e empresas brasileiras acessarem o mercado externo.
Mas o Tesouro também quer voltar ao mercado europeu, com o objetivo de construir uma curva de referência em euro. Além disso, já "avalia as condições de mercado" para uma emissão inaugural em yuan.
Novos títulos
O Tesouro Nacional informou nesta quarta-feira que vai começar a ofertar dois novos títulos nos leilões de 2026. Uma das novidades é a Letra do Tesouro Nacional (LTN), um título prefixado, com prazo para 36 meses. A outra é a Nota do Tesouro Nacional - Série F (NTN-F) - prefixada com juros semestrais - de cinco anos.
"Essa estrutura contribuirá para um equilíbrio mais adequado entre o risco absorvido pelo mercado e a arrecadação financeira dos leilões", diz o Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026. "Ainda, ao longo do ano, o Tesouro Nacional busca lançar um benchmark mais longo de NTN-F, com o objetivo de promover um alongamento gradual dos prazos ofertados ao longo da curva de juros."
As ofertas de LTN vão continuar concentradas entre seis e 72 meses, o que "favorece a dinâmica do mercado" por ampliar a liquidez em prazos curtos e intermediários, segundo o Tesouro. Em relação às NTN-Fs, o Tesouro diz que o novo título de cinco anos vai se somar aos prazos já consolidados de sete e dez anos.
As emissões de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B), títulos indexados ao IPCA, vai continuar apoiando a estratégia de alongamento da Dívida Pública Federal (DPF), segundo o PAF. A ideia é ofertar oito vértices, com vencimentos entre três e 40 anos. Nos prazos acima de dez anos, o órgão poderá ofertar todos os títulos atualmente disponíveis em cada leilão.
"As LFT, remuneradas por taxa de juros pós-fixada, permanecerão como instrumento relevante de financiamento, especialmente em períodos de maior aversão a risco, contribuindo para a manutenção de prazos médios superiores aos dos títulos prefixados", diz o PAF.
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