Operação no Deutsche Bank mira suspeita de lavagem de dinheiro
Polícia alemã vasculhou escritórios em Frankfurt e Berlim. Investigação visa funcionários e relações comerciais do banco com entidades estrangeiras envolvidas em suposto esquema.A polícia da Alemanha realizou nesta quarta-feira (28/01) buscas nos escritórios do Deutsche Bank em Frankfurt, sede da instituição, e Berlim por suspeita de lavagem de dinheiro, um dia antes do banco alemão apresentar o balanço de 2025.
O Ministério Público de Frankfurt informou que a acusação recai sobre responsáveis e funcionários não identificados. Na mira dos investigadores estão relações comerciais anteriores do banco com entidades estrangeiras, que, por sua vez, são suspeitas de serem usadas para lavagem de dinheiro.
O Deutsche Bank confirmou, em comunicado, que o Ministério Público de Frankfurt esteve presente nas instalações do banco e que a instituição "está cooperando integralmente com o Ministério Público", recusando-se a dar mais informações.
As ações do Deutsche Bank caíam 3%, para 32,48 euros, na Bolsa de Frankfurt, após a notícia da investigação do Ministério Público e do Departamento Federal de Polícia Criminal (Bundeskriminalamt).
Relações com empresas estrangeiras
Segundo a revista alemã Der Spiegel, a investigação se concentra em antigas relações comerciais do Deutsche Bank com empresas estrangeiras suspeitas de terem sido criadas para lavar dinheiro e que seriam de propriedade do oligarca russo Roman Abramovich .
Cerca de 30 policiais à paisana vasculharam os escritórios da sede central do Deutsche Bank pouco depois das 10h (hora local) para apreender provas, acrescenta a revista.
Abramovich está, desde a primavera de 2022, na lista de sanções da União Europeia (UE).
Em geral, a lavagem de dinheiro pode ser definida como transações destinadas a ocultar a origem dos fundos para que pareçam ter vindo de uma fonte legítima.
Banco já foi multado no passado por falhas
O Deutsche Bank teve vários desentendimentos com autoridades ao longo dos anos. Foi multado em 205 milhões de dólares pelos reguladores de Nova York em 2018 por manipulação do mercado cambial e em 41 milhões de dólares pelo Banco Central dos EUA (Federal Reserve ou Fed), em 2017 por falha na manutenção de controles contra lavagem de dinheiro, além de 629 milhões de dólares em penalidades em 2017 pelos reguladores de Nova York e do Reino Unido por falhas nos controles que permitiram que oligarcas russos lavassem 10 bilhões de dólares em fundos ilícitos por meio do banco.
Mesmo durante a gestão do CEO Christian Sewing, que assumiu o cargo em abril de 2018, a série de incidentes continuou: pouco depois de sua posse, investigadores revistaram o maior banco da Alemanha em conexão com os "Panama Papers" . Em 2022, ocorreu uma nova operação sob suspeita de atraso na entrega de relatórios de lavagem de dinheiro.
md/ra (EFE, AP, Reuters)