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BC mantém Selic em 15% e prevê corte em março, mas promete seguir com "restrição adequada"

28 jan 2026 - 18h41
(atualizado às 19h35)
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O Banco Central decidiu nesta quarta-feira manter a taxa Selic em 15% ao ano, em decisão unânime de sua diretoria, e indicou que iniciará um ciclo de corte de juros em março, mas enfatizou que manterá "a restrição adequada" para levar a inflação à meta de 3%.

Em comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC disse que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para cumprir seu ‌objetivo, prevendo uma "calibração do nível de juros" diante do ambiente de inflação menor e transmissão mais evidente da política monetária.

"O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária ‌em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", disse o BC em comunicado.

A autarquia enfatizou que o compromisso com a meta impõe "serenidade" em relação ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento do alvo para a inflação no horizonte relevante da política monetária.

"O Banco Central surpreendeu em já indicar o início do ciclo de corte de juros para a próxima reunião, contudo, com tom ainda altamente cauteloso", avaliou o economista do ASA Leonardo Costa, que prevê um corte ‍de 0,25 ponto percentual na Selic em março.

Para a economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, o comunicado apresentou tom um pouco mais leve ao indicar o corte de juros em março, mas reforçou o compromisso com a meta.

"O comitê destacou a necessidade de serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo de cortes", ressaltou.

O BC melhorou nesta quarta sua projeção de inflação para 2026 em relação a dezembro, de 3,5% para 3,4%, considerando o cenário de referência, que segue projeções de mercado para os juros. No entanto, em ‌relação ao terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, a expectativa foi mantida em 3,2%.

Para fazer as projeções do cenário de ‌referência, o Copom considerou uma taxa de câmbio que parte de R$5,35, mesmo patamar usado na última reunião.

TRECHOS EXCLUÍDOS

Em uma mudança em relação a dezembro, foi excluído do comunicado o trecho que dizia que "exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado" para assegurar a convergência da inflação à meta em um ambiente de expectativas de mercado desancoradas.

Também foi retirado o trecho que dizia que o BC não hesitaria em retomar o ciclo de ajuste nos juros caso julgasse apropriado.

A reunião deste mês do Copom foi realizada por apenas sete dos nove membros, após a saída de Diogo Guillen da diretoria de Política Econômica e de Renato Gomes da diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, que tiveram mandatos encerrados em dezembro. O governo ainda não indicou novos nomes para os cargos.

A decisão desta quarta veio em linha com a expectativa de mercado captada em pesquisa da Reuters, na qual 32 dos 35 economistas entrevistados projetavam que o BC manteria a Selic em 15% neste mês.

O foco dos analistas, no entanto, estava na possível sinalização da autarquia sobre quando poderia cortar a taxa, em meio a sinais de esfriamento gradual da economia e um movimento de melhora de dados de inflação.

O IPCA encerrou o ano passado com alta acumulada de 4,26%, abaixo do teto da meta, que é de 3% e tem uma tolerância de 1,5 ponto percentual.

A decisão desta quarta-feira representa a quinta manutenção consecutiva da Selic em 15% ao ano, patamar alcançado após sete elevações feitas até julho do ano passado e que levaram a taxa ao patamar mais alto em quase duas décadas.

Em relação à inflação corrente, a autarquia disse que os dados seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta.

O mercado financeiro tem melhorado as projeções para os preços no país, mas com maior resistência em períodos mais longos, sempre em níveis ainda fora do centro do alvo.

A previsão para o IPCA de 2026 no boletim Focus caiu de 4,16% antes do encontro do Copom em dezembro para 4,00% nesta semana. A estimativa ficou inalterada em 3,80% para 2027 e em 3,50% ‌para 2028.

Em relação à atividade econômica, o BC disse que indicadores seguem apresentando moderação do crescimento, como esperado, embora o mercado de trabalho ainda mostre sinais de resiliência.

No ambiente externo, a autarquia avaliou que o cenário segue incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, o que exige cautela por parte de países emergentes.

Mais cedo nesta quarta, o banco central dos Estados Unidos manteve a taxa básica de juros inalterada, citando a inflação ainda elevada e sólido crescimento econômico, dando poucas indicações sobre quando os custos dos empréstimos poderão cair novamente.

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