Apelos e medidas de segurança ajudam a combater pichadores
Considerada um crime ambiental no país, que prevê pena de três meses a um ano de detenção, além de multa, a pichação tem descaracterizado a paisagem e escondido monumentos das pequenas, médias e grandes cidades brasileiras. De quebra, ainda acarreta prejuízos aos seus moradores.
As inscrições nas fachadas causam diferentes formas de prejuízo para os proprietários. Por um lado, eles têm que lavar e pintar as paredes de suas casas e prédios. Por outro, os imóveis se desvalorizam, porque dificilmente alguém quer comprar ou alugar uma residência ou escritório que vive sendo alvo da ação dos pichadores.
De acordo com Rose Zago, gerente de vendas da imobiliária Provectum, que atua em Campinas e Valinhos, no interior de São Paulo, é difícil estimar quanto um imóvel pode se desvalorizar por causa das pichações. Há casos, segundo ela, em que os interessados na compra ou locação até relevam o problema, por considerá-lo "apenas" vandalismo, e não uma deficiência própria da unidade. Mesmo assim, reconhece a corretora, a ação dos pichadores sempre traz transtornos e gastos aos proprietários.
Ainda que esse crime seja difícil de ser eliminado, Rose considera que os donos de imóveis e síndicos de condomínios podem tomar algumas medidas para tentar minimizá-lo. "Investir em itens de segurança é uma boa alternativa. A instalação de câmeras, cercas elétricas e grades de proteção ajudam a combater o problema", afirma ela. Outra iniciativa que tem sido adotada por algumas pessoas é a fixação de placas na fachada dos imóveis com apelos aos pichadores.
Normalmente, os avisos pedem que as paredes e muros sejam poupados. Em troca, os autores da mensagem se comprometem a fazer doações a instituições de caridade. "É uma alternativa válida. A maioria dos pichadores costuma respeitar esses imóveis", afirma Rose Zago.
A construtora Rossi, uma das maiores do Brasil, lança mão desse expediente em algumas cidades onde atua. O objetivo é evitar ataques aos tapumes de suas obras. Em troca, a empresa se compromete a doar cestas básicas a entidades assistenciais locais.
As pichações ganharam tamanha proporção no Brasil que se tornaram tema de investigação científica. Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), por exemplo, traçaram o perfil dos responsáveis por esse ato e mapearam suas áreas de atuação em Belo Horizonte. Segundo o estudo, a maioria dos pichadores tem entre 17 e 42 anos, trabalha, estuda e pertence a diferentes níveis sociais. Ainda conforme a pesquisa, a geografia da pichação não é homogênea, mas os pichadores, todos do sexo masculino, demonstram preferência por edifícios comerciais.