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Agentes autônomos já detêm 36% dos investimentos na alta renda, diz consultoria

Número representa R$ 1,4 trilhão em recursos, de um total de R$ 3,8 trilhões movimentados pelo segmento; mercado conta hoje com 9.713 profissionais do ramo

4 mai 2021
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O avanço na abertura de escritórios de agentes autônomos de investimento pelo Brasil, em meio à demanda crescente por alternativas de produtos financeiros com mais rentabilidade, impulsionou a categoria a alcançar uma fatia de mercado de mais de um terço no segmento em que atua. Segundo a consultoria AAWZ, esse grupo já é responsável pelo atendimento de 36% dos investidores de alta renda, que têm entre R$ 200 mil e R$ 4 milhões para aplicar. Em volume, isso significa R$ 1,4 trilhão em recursos, de um total de R$ 3,8 trilhões de aplicações registradas no segmento.

Os dados fazem parte de estimativas feitas pela AAWZ, que presta serviços de aconselhamento e tecnologia para 25% dos escritórios de agentes autônomos do País. A empresa vê espaço para uma participação ainda maior das assessorias independentes nos próximos anos, para algo próximo de 45%, nível semelhante ao observado nos Estados Unidos.

"Isso significa que as independentes já ganharam grande parte do espaço que poderiam ganhar no segmento de pessoas físicas, então o mar já não é tão azul para o crescimento", diz Filipe Medeiros, CEO da consultoria AAWZ.

Os escritórios de agentes autônomos têm como foco principal clientes do varejo na alta renda ou private. O mercado conta hoje com 9.713 profissionais. Desse total, 76,88% são credenciados à XP Investimentos. O BTG Pactual Digital possui 10,2% dos profissionais, seguido por Guide (2,36%), Genial (1,9%) e Safra (1,46%). As outras instituições têm cerca de 7% dos assessores.

A pesquisa da consultoria soma apenas os assessores ligados às casas com marca e capital societário independente da instituição a que estão credenciados. Os dados foram coletados em 19 de março.

Concorrência

A disputa pela terceira colocação entre as corretoras é o que será visto no futuro próximo, avalia Medeiros. "A XP foi a pioneira na atuação com os agentes autônomos, e o BTG colhe os frutos de um investimento feito nos últimos três anos", diz. Para fechar o top 3, Medeiros enxerga que o Safra vem despontando, com dedicação a expandir esta área desde o fim de 2019: "a expectativa é que entre 2022 e 2023 o Safra comece a colher os frutos do investimento que fez. Fora XP e BTG, é a instituição que mais investe".

Por outro lado, há uma expectativa do setor de que as instituições bancárias tradicionais entrem no mercado de agentes autônomos. Uma das dúvidas sobre o movimento é se o modelo será com convênios junto a escritórios independentes ou não, ou ainda uma forma mista, como as atuais plataformas como a XP Investimentos e a BTG Pactual Digital.

O esforço dos bancos tradicionais para enfrentar a nova concorrência é notável. O Itaú Unibanco, por exemplo, abriu, em dezembro, 1,7 mil vagas para especialistas em investimentos. O foco das contratações é para atender o público de alta renda e private.

Outro dado que indica como o novo modelo ganhou importância nessa disputa é a comparação entre o número de assessores com o de gerentes de investimentos de bancos. Com exceção do Estado de São Paulo, que concentra as sedes de instituições bancárias, o número de agentes autônomos supera o de gerentes de investimento em todas as regiões do país. São Paulo, no entanto, concentra 41,86% dos profissionais credenciados à Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord).

Estadão
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