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Ação da Eneva recua após ANP aprovar desconto em tarifa de transporte para leilão de reserva

2 fev 2026 - 14h07
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As ações da Eneva chegaram a recuar mais de 4% nesta segunda-feira, após a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovar desconto de 15% nas tarifas de transporte para contratos de 10 anos ou mais de participantes do leilão de reserva de capacidade em 2026.

A ‌medida, segundo a ANP, visa reduzir o custo de transporte de gás natural das usinas termelétricas conectadas à malha de transporte de gás ‌natural e ampliar a competitividade no leilão, que está previsto para ocorrer no dia 18 de março.

Isso beneficia geradores como a Petrobras, que possuem térmicas ligadas a gasodutos, e acirra a disputa por contratos para a Eneva, uma das principais interessadas no certame, que opera termelétricas junto a poços de exploração de gás ou a gás natural liquefeito.

"A ANP considerou o entendimento de que contratos de ‍longo prazo reduzem riscos e aumentam a previsibilidade de receitas do sistema de transporte, justificando o sinal tarifário", afirmou a agência em comunicado no final da sexta-feira, quando a medida foi aprovada pela sua diretoria.

"Simulações indicam que o desconto aproxima o custo de transporte de patamares considerados competitivos, reduzindo o valor fixo embutido nos lances."

De acordo com o analista ‌João Pimentel, do Citi, esta já é a segunda mudança nas regras do leilão na última ‌semana. Na semana passada, o Ministério de Minas e Energia alterou os critérios de elegibilidade, reduzindo o percentual exigido de contratação do serviço de transporte firme de gás natural.

"Ambas as mudanças têm como objetivo reduzir o preço-teto do leilão", pontuou em email a clientes.

No seu modelo para o leilão, Pimentel calcula que, para remunerar adequadamente um projeto térmico greenfield, que exige capacidade firme de transporte de gás (pipeline take-or-pay) com Taxa Interna de Retorno (TIR) real de 10%, seria necessária uma tarifa de quase R$342/MWh.

Com base na mudança proposta na semana passada, ele afirma ver espaço para que o preço-teto requerido caia em R$30/MWh. A mudança adicional proposta na última sexta-feira deve ajudar a reduzir os preços em mais R$7/MWh, totalizando R$ 305/MWh, ou R$ 2,7 milhões/MMWy, acrescentou.

Em seu modelo para Eneva, ele assumia um preço de recontratação de R$250/MWh, considerando potencial concorrência. Nesse cálculo, ele assume que os ativos térmicos da Eneva, incluindo Itaqui, Pecém II, P1, P3 e 148 MW dos ativos legados do BTG, serão recontratados sob um preço uniforme de R$ 250/MWh para o leilão de capacidade.

"Esse valor é inferior ao que considerávamos necessário para remunerar adequadamente um projeto greenfield no leilão, dado que a concorrência é difícil de mensurar — razão pela qual optamos por uma abordagem mais conservadora", ponderou.

"Dito isso, essas mudanças reduzem nossa estimativa de preço-teto do leilão, que ainda permanece acima do que estamos assumindo em nossos números. No ‌entanto, com investidores fortemente alocados no leilão e com o governo tentando de todas as formas reduzir os preços da energia, o fluxo de notícias é, de fato, negativo", acrescentou.

Por volta de 13h45, as ações da Eneva caíam 1,09%, a R$20,89, no terceiro pregão seguido de queda, enquanto o Ibovespa subia 0,58%. Na mínima, as ações da companhia foram negociadas a R$20,17, queda de 4,5%.

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