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Uma lição comovente no ‘BBB’: “desculpa não estar feliz”; “desculpa estar feliz demais”

Samira e Chaiany demonstram maturidade emocional ao assumir sentimentos opostos sobre a mesma situação

16 fev 2026 - 12h55
(atualizado às 12h55)
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Deitadas em espreguiçadeiras no jardim da casa do ‘BBB’, Samira e Chaiany comentam sobre a ida da goiana ao desfile das escolas de samba na Marquês de Sapucaí.

A primeira revela que é um sonho ainda não realizado. Há uma troca de olhares em silêncio. “Desculpa não estar muito feliz”, diz Samira à aliada. Compreensiva, Chai quase se culpa pela alegria vivida na Sapucaí. “Desculpa estar feliz demais.”

O momento, aparentemente simples, revela uma das dinâmicas emocionais mais complexas das relações humanas: a capacidade de sentir alegria pelo outro e, simultaneamente, experimentar uma dor íntima que não nasce da inveja, mas da comparação inevitável.

A felicidade de alguém próximo funciona como um espelho. Às vezes, o reflexo devolvido não é exatamente o que gostaríamos de ver.

Há uma tendência contemporânea de interpretar qualquer desconforto diante da conquista alheia como rivalidade ou competição. Nem sempre é assim. 

O que emerge pode ser apenas a consciência da própria falta. Quando Samira pede desculpas por não estar tão feliz, ela não diminui a conquista da amiga, e sim reconhece que aquele mesmo episódio toca numa ferida. Age com honestidade emocional.

Samira e Chaiany: nem sempre a alegria do outro gera o mesmo efeito em nós
Samira e Chaiany: nem sempre a alegria do outro gera o mesmo efeito em nós
Foto: Reprodução/TV

O filósofo francês Jean-Paul Sartre observava que o outro é sempre uma presença que nos revela a nós mesmos. Não apenas pelo olhar julgador, mas pela existência concreta que amplia o horizonte das possibilidades e também das ausências.

Ver alguém viver aquilo que desejamos pode intensificar a percepção do que ainda não alcançamos, forçando uma tomada de consciência dolorosa.

Na psicanálise, esse fenômeno pode ser compreendido pela ideia de ambivalência afetiva. Sigmund Freud afirmou que emoções aparentemente contraditórias podem coexistir sem se anular: amor e ressentimento, orgulho e tristeza, identificação e frustração.

Quando uma pessoa querida conquista algo, o inconsciente tende a ativar simultaneamente o prazer empático e, junto, pode surgir o luto simbólico por algo não experimentado.

O mais interessante na cena no ‘BBB’ não é a diferença de sentimentos, mas a forma como ambas tentam acolher a emoção da outra. 

Ao pedir desculpas por não conseguir vibrar plenamente, Samira legitima sua própria vulnerabilidade sem negar o afeto.

Já Chaiany, ao se desculpar por estar feliz demais, demonstra consciência do impacto negativo que sua alegria pode provocar.

É um encontro raro: duas mulheres jovens sustentando emoções distintas sem transformar a diferença em conflito.

Podemos enxergar ali uma lição bonita: amizades profundas não são aquelas em que todos compartilham a mesma emoção ao mesmo tempo, mas aquelas em que ninguém precisa fingir sentir o que não sente unicamente para agradar ao outro.

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