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Depois das férias, cinemas apostam em animações menos óbvias para conquistar público; conheça

Do visual arrojado da Sony a um anime existencialista e uma comédia espacial queer, três estreias mostram caminhos bem diferentes do gênero

15 fev 2026 - 15h26
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Uma produção japonesa sobre monstros e looping temporal. A história estilosa e vibrante de um cabrito que sonha em ser jogador de basquete. E uma princesa lésbica que precisa enfrentar desafios do amor e da juventude no espaço. Essas são as histórias dos três filmes de animação que chegaram aos cinemas brasileiros nesta semana. Com o fim das férias, as redes de cinema apostam em animações com estilos, públicos e narrativas diferentes.

Dentre os três, o mais interessante é Um Cabra Bom de Bola, animação que fala sobre um cabrito que sonha em jogar "berroball", variação esquisita de basquete. Tudo isso se passa em uma sociedade comandada por animais de diferentes espécies — talvez um Zootopia mais selvagem e menos amigável, mas que traz uma essência parecida ao falar sobre preconceito entre espécies.

O grande destaque fica, para além de uma história que esbarra em ser simplória, no visual. A Sony Pictures, estúdio por trás da produção, tem se mostrado um celeiro de boas ideias para animações, indo desde Homem-Aranha no Aranhaverso, que deu novo fôlego para filmes de super-heróis há alguns anos, até Guerreiras do K-Pop, vendido para a Netflix.

O visual é um dos maiores acertos de 'Um Cabra Bom de Bola'
O visual é um dos maiores acertos de 'Um Cabra Bom de Bola'
Foto: Sony Pictures/Divulgação / Estadão

A grande ideia aqui, para além do visual, é falar sobre sonhos e diferenças sociais. Afinal, Will, o protagonista, é um cabrito com grandes sonhos e que consegue uma chance única de entrar para o time profissional do tal "berroball". Seus novos companheiros não ficam nada empolgados com a presença de um "pequeno" no elenco. A fórmula é conhecida, mas o tratamento visual da Sony eleva uma narrativa que, no papel, soa previsível.

Você Só Precisa Matar chega como uma adaptação anime do mesmo material que inspirou No Limite do Amanhã, o filme de 2014 com Tom Cruise. Mas a versão japonesa toma caminhos próprios. Em um futuro distópico, uma enorme e misteriosa flor chamada Darol surge no Japão, e voluntários são enviados para ajudar na limpeza e reconstrução. Rita, uma jovem solitária que não se encaixa entre seus colegas, está entre eles. Quando a Darol libera hordas de criaturas mortais, Rita morre tentando escapar. E então acorda novamente. E de novo. E de novo. Sempre testemunhando a mesma tragédia. Presa num loop temporal, ela luta sozinha até conhecer Keiji, um rapaz tímido que também vive o ciclo interminável.

Produzido pelo renomado estúdio 4°C, conhecido por Mind Game e Tekkonkinkreet, o filme aposta numa abordagem mais contemplativa e melancólica do que a versão hollywoodiana — o que funciona e se atrapalha em iguais medidas.

O visual estilizado é um espetáculo à parte, cheio de detalhes que enriquecem até as cenas mais corriqueiras. O problema está na execução narrativa: a caracterização rasa dos personagens e as viradas emocionais apressadas impedem que o filme atinja seu potencial máximo. Há uma sensação persistente de incompletude, como se faltassem peças importantes para entender completamente a crise existencial de Rita. Ainda assim, para quem busca uma experiência visualmente rica e menos interessada em explosões do que em reflexões sobre o significado da vida, Você Só Precisa Matar oferece momentos genuinamente tocantes.

Por fim, fechando a trinca de novas animações nas telonas, A Sapatona Galáctica é a carta mais ousada e adulta da semana. Esta comédia musical animada australiana não tem vergonha de ser exatamente o que promete: uma aventura espacial queer. A princesa espacial é arrancada de sua vida protegida e lançada numa missão galáctica para salvar sua ex-namorada caçadora de recompensas de alienígenas heterossexuais brancos. Tudo começa no planeta Clitópolis, e as referências sexuais e piadas só aumentam a partir daí.

Com animação simples que remete a South Park, Rick & Morty e Aqua Teen Hunger Force, o filme equilibra humor cínico com uma doçura inesperada. É uma história sobre acreditar em si mesmo e perceber que às vezes o problema não é você, mas as pessoas ao seu redor. Há algo de Tank Girl nessa irreverência toda, mas com mais coração e uma mensagem clara sobre amor-próprio e autoaceitação. O filme não pede desculpas por ser queer, não suaviza suas referências adultas, mas também não esquece de construir uma jornada genuína de crescimento. É refrescante ver uma animação tão desavergonhadamente abraçar sua identidade, especialmente num momento em que projetos assim ainda são raros.

Três filmes, três apostas diferentes: uma promessa visual da Sony, uma adaptação anime dividida entre beleza e narrativa truncada, e uma comédia queer que não tem medo de ser politicamente incorreta. A variedade está aí: resta escolher qual história merece seu fim de semana.

Estadão
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