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'Caminhos do Crime', com Ruffalo e Hemsworth, é thriller classudo com boas atuações

Longa-metragem de Bart Layton é dirigido com elegância e mostra personagens com ambições perigosas na vida

15 fev 2026 - 17h52
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Há um determinado momento de Caminhos do Crime, thriller que chegou aos cinemas nesta quinta-feira, 12, em que Davis (Chris Hemsworth), um assaltante profissional, confessa para sua ficante Maya (Monica Barbaro) que o que o motiva é o dinheiro. Essa resposta gera um arquear de sobrancelhas na jovem, aparentemente mais idealista que seu companheiro, mas certamente não teria o mesmo efeito em nenhum outro personagem.

Afinal, este longa-metragem de Bart Layton (American Animals) é um típico filme de ação e que não tenta colocar personagens virtuosos na história: o que move a trama e quase todos os seus envolvidos é a grana. Davis assalta milionários para tirar um dinheiro, fazendo parte de um esquema maior comandado por Money (Nick Nolte). Dois outros personagens ainda vão entrar em seu caminho por motivos diferentes: uma especialista em seguros de objetos de luxo, Sharon (Halle Berry), e um assaltante jovem e ambicioso, Ormon (Barry Keoghan).

Personagens à margem

Layton não está interessante em grandes histórias, grandes personagens. Colocando toda sua história em uma Los Angeles escurecida, com quase tudo se passando entre 20h e 5h da manhã, Caminhos do Crime fala sobre essas pessoas que vivem nas sombras, fazendo um bom dinheiro, e que tentam não olhar pela janela do carro quando veem moradores de rua. "Não consigo me imaginar em uma situação em que aceitaria morar na rua", diz assim Davis, em um momento de tensão, quando é questionado sem saber pelo policial Lou (Mark Ruffalo). Todos ali são movidos não pela honra, mas pelo medo de ficar sem dinheiro.

Ou seria sem ostentação? Afinal, todos ali parecem gostar de mostrar que possuem dinheiro. Quadros na parede, apartamentos de frente por mar, "relógios de US$ 12 mil", carros esportivos. Tudo isso desfila na frente da câmera do cineasta, que não coloca exatamente um filtro de ouro em cima disso tudo. As riquezas estão no meio de armas e de planos audaciosos, misturando o luxo com a violência, a ambição com o medo constante.

Barry Keoghan é um dos personagens mais ambiciosos (e o mais violento) em 'Caminhos do Crime'
Barry Keoghan é um dos personagens mais ambiciosos (e o mais violento) em 'Caminhos do Crime'
Foto: Sony Pictures/Divulgação / Estadão

Impossível não pensar, nessa mistura de assalto com as ruas de Los Angeles, em Michael Mann, o cineasta por trás de Fogo contra Fogo. Há menos vigor na direção de Layton, britânico da gema, principalmente quando comparado com esse diretor que é um dos maiores de todos os tempos, mas ainda assim o clima e a tensão estão instalados ali. Mais do que isso, a miséria dos personagens consegue atravessar a tela, assim como acontece com Vincent Hanna, Neil e Chris no longa de Mann.

Difícil dizer, na metade de fevereiro, que este filme talvez seja uma das maiores surpresas do ano, ainda mais com o diretor vindo dos superestimados American Animals e O Impostor. Mais do que uma boa história, Caminhos do Crime traz uma direção classuda coroada por atuações seguras de Hemsworth (no papel mais sério de sua carreira), Halle Berry, Keoghan, Ruffalo e até de Jennifer Jason Leigh, que aparece em duas cenas apenas -- uma para reclamar do marido que faz xixi sentado e em outra para se separar dele.

Caminhos do Crime é um filme sobre personagens que sabem onde não querem chegar, o que não querem ser e o que não querem viver. É sobre a negação da miséria, o crime como recompensa e a omissão como caminho seguro. A risada final, de um personagem que era visto até ali como bastião da retidão, mostra isso claramente: até aqueles que tentam seguir o caminho correto desistem no meio. E aqueles que parecem seguir um final feliz, honesto e sem maiores emoções dali pra frente, parecem questionar: será que é mesmo um final?

Estadão
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