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'EPiC' traz Elvis ao vivo — e em suas próprias palavras

O diretor Baz Luhrmann explica como transformou imagens raras de filmagens ao vivo e entrevistas em um novo e surpreendente documentário sobre o Rei

10 fev 2026 - 11h38
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Durante 50 anos, as filmagens de Elvis Presley — 10 shows gravados profissionalmente no início dos anos 70 — permaneceram guardadas no fundo de uma mina de sal no Kansas, completamente inacessível ao público. Para os fãs mais fervorosos de Elvis, sua existência era pouco mais que um mito. Mas quando Baz Luhrmann (O Grande Gatsby, Moulin Rouge) assinou contrato para dirigir a cinebiografia Elvis, em 2022, estrelada por Austin Butler e Tom Hanks, ele insistiu que a Warner Bros. desenterrasse todas as 59 horas de filmagem, que pertencem ao estúdio, para ver se poderiam inspirar ideias para o filme.

'EPiC: Elvis Presley in Concert'
'EPiC: Elvis Presley in Concert'
Foto: Reprodução/TMDB / Rolling Stone Brasil

O que Luhrmann viu o deixou boquiaberto. Não se tratava apenas de Elvis no auge de sua carreira como artista ao vivo, capturado de múltiplos ângulos, muitas vezes por cineastas experientes, mas também de imagens de bastidores e entrevistas sinceras com o ícone da música, notoriamente avesso à imprensa. "Não podíamos deixar essas imagens se perderem", diz Luhrmann por Zoom enquanto caminha pelas ruas de Tóquio. "Na hora, eu soube que tínhamos que fazer algo com elas".

O que ele não queria era um documentário tradicional que contasse a história dos anos de turnê de Presley em ordem cronológica, com letreiros e entrevistas com especialistas. Em vez disso, ele imaginou algo mais ousado, que chama de "poema sinfônico". Como Luhrmann explica: "É como se Elvis viesse até você em um sonho e contasse sua história, e a cantasse."

O resultado, EPiC: Elvis Presley in Concert, que estreia em IMAX em 20 de fevereiro e nos cinemas de todo o Brasil em 26 de fevereiro, é uma façanha cinematográfica. Apesar de ter ficado armazenado por muito tempo em uma mina de sal, o que ajuda a proteger o filme dos efeitos nocivos da umidade, tornar a filmagem adequada para as telas apresentou enormes obstáculos tecnológicos e financeiros. A jornada começou quando Luhrmann e o editor Jonathan Redmond começaram a vasculhar caixas de rolos de filme que foram originalmente gravados para o documentário de 1970, Elvis: That's the Way It Is, e para o filme-concerto de 1972, Elvis on Tour. "Quando chegamos à sala de edição da Warner, havia um cheiro forte de vinagre", diz Luhrmann. "Esse é o cheiro de filme se deteriorando. E o cheiro era tão forte que sabíamos que estava prestes a se desfazer".

O resultado ficou espetacular após a delicada transferência digital, mas grande parte da filmagem do show estava muda. Felizmente, a RCA tinha fitas multitrack de todas as apresentações, e os cineastas conseguiram sincronizá-las meticulosamente. Então, durante a busca por áudio adicional, eles encontraram uma entrevista inédita de 45 minutos com Presley, conduzida pela equipe de direção de Elvis on Tour em 1972, com a câmera desligada. "Dá para perceber que ele está muito cansado e vulnerável", diz Luhrmann. "Mas ele está falando, sem reservas, sobre a vida dele".

Isso lhes deu a ideia de deixar Elvis narrar o filme, usando essa entrevista juntamente com trechos selecionados de conversas gravadas ao longo de sua vida. "Sempre foi sobre outras pessoas contando suas histórias sobre Elvis", diz Luhrmann. "Qualquer pessoa que abasteceu o carro de Elvis e olhou em seus olhos escreveu um livro sobre isso. Este é o lado dele da história".

Em EPiC, essa história começa com um segmento transcendental do medley "An American Trilogy", de 1972. Em seguida, o filme percorre uma colagem de apresentações televisivas da década de 1950 e shows antigos gravados por fãs na plateia. Depois, vislumbramos alguns dos filmes que o Rei filmou na década de 1960, durante um período de declínio na carreira, incluindo um em que ele canta para um homem fantasiado de cachorro. "A imagem que Hollywood tinha de mim estava errada. Eu sabia disso e não podia dizer nada a respeito", ouvimos Presley dizer em um momento de inesperada franqueza. "Não foi culpa de ninguém, exceto talvez minha, mas eu estava apegado a coisas nas quais não acreditava totalmente."

EPiC alterna entre shows de 1970 e 1972, destacando performances impressionantes de músicas como "Bridge Over Troubled Water", "Suspicious Minds", "In the Ghetto", "Burning Love" e "How Great Thou Art". Redmond estava inicialmente preocupado com "saltar no tempo, no espaço, nas proporções de tela e nos formatos. "É Super-8 em um plano. Depois, é 35mm anamórfico no plano seguinte, e depois 16mm 4:3". Mas eles seguiram seus instintos. "Não queríamos um fluxo linear", diz.

Para dar ainda mais destaque às imagens, eles as entregaram à equipe do diretor Peter Jackson na Nova Zelândia, a mesma equipe responsável pelo aclamado documentário de 2021, The Beatles: Get Back. "Eles estabeleceram o padrão ouro para restauração de filmes — limpando, degradando, removendo toda a poeira", diz Redmond. "Mas sem perder nada, porque você pode exagerar na restauração e o filme começa a parecer artificial. Essas pessoas são mestres em fazer o filme parecer filme, só que melhor e mais limpo. O trabalho deles foi a cereja do bolo."

Luhrmann e Redmond tiveram acesso a gravações de shows feitas após 1972, incluindo o especial de Presley de 1977. Mas as imagens são difíceis de assistir devido ao estado físico precário de Presley nas semanas que antecederam sua morte. "O corpo de Elvis está debilitado em 1977", observa Luhrmann, embora acrescente que o "espírito e a voz do Rei ainda se elevam". O diretor exibiu uma famosa performance de "Unchained Melody" desse mesmo período no final de sua cinebiografia de 2022 e relutou em revisitar esse tema. "Não queríamos nos repetir", acrescenta, "e não queríamos mostrá-lo em seu fim definitivo".

O filme conclui observando que Elvis realizou mais de 1.100 shows entre 1969 e 1977, às vezes fazendo três por dia. "Ele voou tão perto do sol", diz Luhrmann. "E então ele fica preso, para citar a música ["Suspicious Minds"]. Ele está preso em uma armadilha e não consegue sair. Ele não sabe bem por quê, mas a única coisa que o sustenta enquanto ele continua dando voltas e voltas nesse circuito pela América é que o único amor que ele consegue receber é do outro lado dos holofotes. Ele se tornou viciado em se apresentar".

Luhrmann está atualmente em plena pré-produção de um filme sobre Joana d'Arc, mas ainda não está pronto para se desapegar de Elvis. Um show de 1972 no Hampton Coliseum, em Hampton Roads, Virgínia, foi encontrado em seu arquivo e nunca foi exibido na íntegra. Ele cogita a ideia de talvez um dia transformá-lo em um filme.

O que o motiva é a consciência de que sua cinebiografia gerou um grande interesse em Elvis entre jovens que, antes, tinham apenas uma vaga ideia de sua existência. "Como todos os grandes ícones, chega um momento em que eles se tornam apenas figurantes ou uma fantasia de Halloween", diz Luhrmann. "Mas Elvis era um ser humano extremamente pobre. Seus pais eram analfabetos. E, de repente, ele se torna o jovem de 20 anos mais famoso do planeta. Nada parecido havia acontecido antes. Então, com este filme, nós só queríamos sair do caminho e deixar o público vivenciá-lo da maneira mais íntima possível".

https://youtu.be/xsD6nCbQDcA

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