'A gente chega às 4h da manhã': cordeiros contam como é organizar a folia em Salvador
Trabalhadores seguram as cordas e se divertem durante a passagem dos blocos
"Hoje é 4 horas da manhã que a gente chega". A frase é dita de uma cordeira para outra perto das 18 horas na concentração de trios elétricos do circuito Barra-Ondina, em Salvador. Cordeiros são trabalhadores, muitas vezes informais, responsáveis por segurar as longas cordas que circundam os blocos.
A maioria chegou ao circuito de manhã, seguindo as ordens da organização. Quem chega primeiro é designado para os blocos que saem antes, os que vão chegando depois se sentam, deitam no chão ao lado dos trios e até cochilam enquanto aguardam o bloco a que foi destinado começar a circular. A espera por vezes ultrapassa 4, 5 horas.
É o caso de Ana Cristina Moreira da Silva. Ela não sabe ao certo quando vai chegar em casa. É o seu terceiro dia como cordeira este ano, a diária de R$ 110 é uma forma de não ficar parada durante a folia. "Faz 4 anos que eu participo, em vez de ficar parada, trabalho, ganho um dinheiro extra, me divirto, dou risada."
Giaracy, a dona Gira, de 65 anos, conta que recebe o valor no fim do bloco, assim que termina. Além disso, também recebe lanche dos organizadores.
Apesar do cansaço, a maioria parece demonstrar alguma animação. "Dá para curtir", diz Ana Cristina, que conta preferir ir segurando a corda de Daniela Mercury e Ivete Sangalo.
Já Gabriel David, de 22 anos, aproveita a juventude para conhecer as muitas línguas que passam pelo carnaval de Salvador. "Tem muita língua latinoamericana, como espanhol, mas também tem outros idiomas como o alemão, aqui tem de tudo."
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