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Por que usuários do Apple Vision Pro relatam dores de cabeça; especialista explica

Número crescente de consumidores está achando o equipamento pesado demais para ser usado por períodos prolongados

17 fev 2024 - 05h00
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Resumo
Usuários do Apple Vision Pro relataram dores de cabeça e vasos sanguíneos rompidos após o uso do aparelho - um problema comum com óculos de realidade virtual e mista que vem da orelha interna e cerebelo - por causa dos movimentos, luminosidade das telas e peso do aparelho na frente do rosto que podem levar a consequências mais graves.
A alfândega da Alemanha revelou ter barrado oito pessoas no aeroporto de Berlim, somente nesta semana, tentando entrar no país com o Apple Vision Pro sem pagar as taxas devidas (Imagem: Divulgação/Apple)
A alfândega da Alemanha revelou ter barrado oito pessoas no aeroporto de Berlim, somente nesta semana, tentando entrar no país com o Apple Vision Pro sem pagar as taxas devidas (Imagem: Divulgação/Apple)
Foto: Canaltech

Usuários do Apple Vision Pro — óculos de realidade mista da Apple — relataram dores de cabeça e vasos sanguíneos rompidos após o uso do aparelho. Os óculos chegaram às lojas dos Estados Unidos no dia 2 de fevereiro com mais de 600 aplicativos nativos e, desde então, diversos usuários com comportamentos "bizarros" foram flagrados enquanto usavam o aparato.

Agora, um número crescente de consumidores está achando o equipamento pesado demais para ser usado por períodos prolongados — e alguns até devolvendo o produto.

Em entrevista ao Byte, o neurocientista e professor Álvaro Machado Dias relembra que o mal-estar causado por óculos de realidade virtual e mista é conhecido há tempos e não se restringe a este modelo da Apple

O especialista explica que o fenômeno tem origem na orelha interna e cerebelo. 

"Em certo sentido, o problema é convergente ao que ocorre em veículos autodirigidos ou, simplesmente, quando se senta no banco de trás de um carro: a perda de controle ambiental produz náusea (chamado em inglês de motion sickness), a qual gera dor de cabeça", disse Dias. 

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Outro fator que conta para a dor de cabeça é a luminosidade das telas internas do aparelho, que são extremamente poderosas. Para que a experiência seja intensa é preciso bombardear as retinas e o córtex occipital (visual), o que causa dor de cabeça, explica o neurocientista.

"Finalmente, entra a questão anatômica: como o aparelho é pesado na frente, ele tensiona a cervical, reduzindo o fluxo sanguíneo e, assim, levando ao mesmo fenômeno", complementa.

Em casos extremos, os óculos, que exigem que os usuários usem os olhos como um dispositivo apontador, podem levar a problemas oculares mais sérios.

Em reportagem do The Verge, o gerente de produto do portal, Parker Ortolani, disse que o uso do dispositivo parecia ter causado o rompimento de um vaso sanguíneo em seu olho.

A Apple permite que seus clientes devolvam qualquer produto dentro de duas semanas após a compra. E, isso se aplica também àqueles que desembolsaram US $ 3.500 em um Apple Vision Pro.

Apple Vision Pro teria superado a marca de 200 mil unidades vendidas (Imagem: Divulgação/Apple)
Apple Vision Pro teria superado a marca de 200 mil unidades vendidas (Imagem: Divulgação/Apple)
Foto: Canaltech

Consequências

Muitos usuários ficaram impressionados com a fidelidade visual das telas de alta qualidade do dispositivo e sua capacidade de rastreamento ocular.

Porém, manter um dispositivo que pesa tanto quanto um iPad Pro de aproximadamente 28 centímetros, preso na frente do seu rosto, certamente causará algum desconforto.

O neurocientista Álvaro Dias diz que o ajuste desejável envolve a distribuição do peso do aparelho. Entretanto, ele acrescenta que basta usar de forma comedida para que as chances de sofrer com os sintomas decaiam significativamente.

"A coisa mais importante a se ter em mente é que crianças não podem usar óculos de realidade virtual pelo risco aumentado de convulsão. O mesmo se aplica à população mais vulnerável. Isto posto, a recomendação é ter bom senso e não usar por mais do que 15-20 minutos sem pausa", alerta o especialista.

Fonte: Redação Byte
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