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Pesquisa

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Laboratório suíço deixa músculos de ratos e vermes mais fortes

11 nov 2011 - 12h07
(atualizado às 12h36)
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Um experimento liderado pela Escola Federal Politécnica de Lausanne (EFPL), na Suíça, conseguiu desenvolver músculos mais fortes e melhor constituídos em ratos e vermes, o que permite correr distâncias mais longas e mais rápido. Usando manipulação genética, os cientistas eliminaram um receptor que inibe a fabricação de tecido muscular, fazendo com que os ratos e vermes conseguissem correr melhor, e aguentar baixas temperaturas.

De acordo com a instituição científica, se confirmados em seres humanos estes resultados poderiam tratar a degeneração muscular gerada por envelhecimento ou determinadas condições genéticas. Novas pesquisas sobre as prováveis aplicações terapêuticas deste experimento poderiam favorecer, por exemplo, idosos que são propensos a quedas por sua fragilidade muscular, que em alguns casos tem graves consequências.

O professor Johan Auwerx, diretor do Laboratório de Fisiologia Integrativa e Sistêmica do EPFL e principal responsável pela pesquisa, vislumbra inclusive a possibilidade de desenvolver um tratamento para distrofias musculares de origem genética.

As conclusões deste experimento, no qual colaboraram o Centro Integrativo de Genômica da Universidade de Lausanne e o Salk Institute (Califórnia), permitem entender melhor certos mecanismos que determinam a constituição dos seres vivos. "Se não estivessem retidos pelo efeito de um inibidor natural, os músculos seriam mais fortes, mais poderosos e melhor constituídos do que são", explicou o EPFL em comunicado.

Uma vez que entenderam este mecanismo, os cientistas que participaram do experimento decidiram manipular o receptor em questão e criaram "super-ratos" com uma musculatura duas vezes mais forte que a de outros da mesma espécie. "Os ratos que sofreram esta mutação se transformaram em verdadeiros corredores de maratonas, capazes de correr mais tempo e mais rápido antes de mostrar os primeiros sinais de cansaço", destacou a instituição.

Esses exemplares conseguiram correr quase o dobro da distância percorrida por ratos que não foram submetidos ao tratamento, e também mostraram mais tolerância ao frio. Outro aspecto destacável do descobrimento é que todos os resultados foram igualmente constatados em vermes, o que para os cientistas significa que podem ser aplicados a uma ampla amostra de seres vivos.

O artigo científico com a divulgação dos resultados diz que a experiência foi além de outras que também criaram super-ratos, mas se concentraram na forma como a energia era consumida no músculo. Desta vez foi observada profundamente "a própria constituição do músculo durante o crescimento do organismo", afirmaram os autores da pesquisa. O tecido adiposo dos ratos ofereceu outras conclusões surpreendentes: a eliminação desse mesmo receptor-inibidor permitiu modificar seu tamanho.

De acordo com o professor Auwerx, o tratamento tornou os espécimens estudados mais obesos, mas sem sofrer de diabetes, como os ratos com sobrepeso similar em outras ocasiões. Um dos aspectos que mais encoraja os cientistas envolvidos é que não encontraram "o menor efeito secundário desfavorável" na eliminação do receptor-inibidor em estudo. Por isso, eles já procuram moléculas medicamentosas capazes de diminuir o efeito desse receptor.

Apesar dos efeitos positivos que esta descoberta pode ter se for comprovada a aplicação do estudo em seres humanos, Auwerx reconhece que um medicamento poderia ser uma alternativa a atletas desonestos que buscam um rendimento melhor através do doping com substâncias químicas.

O primeiro americano a receber um transplante total de rosto fez sua primeira aparição pública após a cirurgia no dia 9 de maio de 2011
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Foto: Reuters
EFE   
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