Como o Brasil tenta recuperar dinossauros e patrimônios que estão em 14 países
Nos últimos anos, o País conseguiu reaver um manto Tupinambá centenário e fósseis de dinossauros
Depois da negociação bem sucedida para a volta do fóssil do dinossauro Irritator challengeri - que está na Alemanha há mais de 30 anos -, o Brasil negocia a restituição de outras peças do patrimônio natural e cultural com pelo menos 14 países. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), há mais de vinte negociações em andamento com essas nações.
Os Estados Unidos lideram a lista dos países que receberam o maior número de pedidos de restituição de patrimônio do País, com oito ações abertas; seguido de Alemanha (com quatro), Reino Unido (três), Itália (duas), França, Suíça, Irlanda, Portugal, Uruguai e Japão (uma cada). Segundo o MRE, como as negociações ainda estão em curso, não é possível divulgar detalhes sobre as tratativas.
No mês passado, um acordo firmado entre Brasil e Alemanha resultou na promessa de repatriação à Chapada do Araripe, no sertão do Ceará, do fóssil do dinossauro Irritator challengeri. O material foi retirado ilegalmente do Brasil e está no Museu Estadual de História Natural de Stuttgart, na Alemanha, desde 1991. A data para a volta do fóssil ainda está sendo negociada.
O irritator é um dinossauro carnívoro com cerca de 6,5 metros de comprimento, do grupo dos espinossaurídeos, que viveu durante o período Cretáceo, há cerca de 110 milhões de anos. Estima-se que o fóssil tenha 113 milhões de anos.
Ele foi coletado ilegalmente no sertão do Ceará provavelmente nos anos 80 e contrabandeado para a Alemanha. Em 1991, ele foi vendido por um comerciante de fósseis ao museu alemão e, cinco anos depois, descrito oficialmente. O fóssil é considerado um dos mais completos e, por isso, dos mais importantes para a paleontologia.
"A aquisição de patrimônio pelos museus é um tópico sensível até porque a história não é bonita", afirmou o paleontólogo Alysson Pinheiro, diretor do museu Plácido Cidade das Nuvens. "Mas a verdade é que todos os grandes museus da Europa foram criados a partir de saques, matança, brutalidade, roubo. Nos grandes museus de todo o mundo a regra é essa: expropriação."
De acordo com o Itamaraty, "o estudo de fósseis em instituições de seu país de origem enriquece a pesquisa científica regional, razão pela qual o retorno do Irritator challengeri ao Brasil representa uma vitória e uma oportunidade de desenvolvimento para a ciência brasileira".
"Não é só uma luta para o retorno de um dinossauro", explicou a coordenadora do Laboratório de Dinossauros (DinoLab), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Aline Ghilardi, que liderou a campanha para a volta do Irritator. "É uma luta para diversificar a ciência, para tornar a ciência mais equitativa e para a gente redistribuir essa assimetria histórica de poder que a gente enfrenta na ciência hoje."
Segundo os cientistas, a presença dessas peças nos museus regionais incrementa o turismo e a economia locais, além de servir de inspiração para as crianças.
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