Talvez envelhecer bem não dependa apenas do corpo: a ciência também está começando a estudar o efeito da arte e da cultura
Em meio a uma obsessão global por biohacking e rotinas antienvelhecimento, um grupo de cientistas britânicos se concentrou em algo inesperado: se emocionar, ler e se conectar com a cultura
"Ah, bastante tempo na academia. Mas exercite um pouco o cérebro também." Quando Shakira proferiu essa frase, que imediatamente se tornou um meme global graças à sua participação no programa Bizarrap, certamente não tinha a intenção de lançar as bases para uma nova hipótese científica sobre o envelhecimento.
No entanto, em meio à era do biohacking, suplementos para longevidade e rotinas de bem-estar com horários definidos, um estudo britânico recente focou justamente nisso: o cérebro, as emoções e a cultura.
Durante anos, ouvimos que o segredo para envelhecer com saúde envolve contar gramas de proteína, levantar pesos, dormir oito horas por noite, evitar picos de glicose e, claro, atingir a meta sagrada de 10 mil passos por dia.
A longevidade se tornou um coquetel de ciência, obsessão estética e uma indústria multibilionária. Contudo, uma equipe de pesquisadores do University College London (UCL) adicionou um ingrediente inesperado à mistura: visitar museus, se perder em um bom livro ou curtir um show também influencia de forma tangível a maneira como nossos corpos envelhecem.
A pesquisa, publicada na revista científica Innovation in Aging, analisou dados de 3.556 adultos britânicos com mais de 50 anos. Seguindo o exemplo do Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA) — um dos projetos europeus mais ambiciosos sobre o tema — os cientistas uniram dois mundos aparentemente distintos: hábitos culturais e biomarcadores físicos.
Por um lado, registraram a frequência com que ...
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