Tecnologia escondida? Nova teoria revela possível ‘hack’ na construção das pirâmides do Egito
Estudo publicado na revista Nature sugere sistema interno sofisticado e reacende debate milenar sobre construção das pirâmides
A construção das pirâmides do Egito, que sempre foi cercada de mistério, agora tem uma nova teoria com base em tecnologias modernas, que pode ajudar a esclarecer parte desse enigma. Um estudo recente publicado na revista científica Nature, liderado pelo pesquisador espanhol Vicente Luis Rosell Roig, propõe que os antigos egípcios usaram um sistema engenhoso de rampas internas, polias e contrapesos para erguer a Grande Pirâmide de Gizé.
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A descoberta ganhou repercussão internacional e a hipótese é vista como uma possível solução para um dos maiores desafios da engenharia antiga, sobre como mover e posicionar milhões de blocos de pedra, sendo alguns com dezenas de toneladas, sem máquinas modernas.
O que diz a pesquisa
De acordo com o modelo criado por Rosell Roig, a pirâmide pode ter sido construída com uma espécie de rampa oculta integrada à própria estrutura. Em vez de depender apenas de enormes rampas externas, como sugeriam teorias clássicas, os trabalhadores teriam usado um sistema interno em espiral, que subia conforme a pirâmide crescia.
Essa rampa funcionaria como um caminho inclinado ao longo das bordas da construção, permitindo o transporte contínuo de materiais. À medida que novas camadas eram adicionadas, partes dessa estrutura eram fechadas, apagando quase todos os vestígios do mecanismo ao final da obra.
Segundo o jornal britânico Daily Mail, o modelo digital em 3D simulou todo o processo, mostrando que essa abordagem seria eficiente e compatível com os recursos disponíveis na época, assim como carrinhos deslizando na água, cordas e alavancas.
Outro ponto que chamou atenção dos pesquisadores foi o ritmo da obra. As simulações indicam que os blocos poderiam ter sido posicionados de quatro em quatro, a cada seis minutos.
Com esse ritmo, a pirâmide, que é composta por cerca de 2,3 milhões de pedras, poderia ter sido finalizada em um período entre 20 e 27 anos, incluindo as etapas de extração, transporte e pausas dos trabalhadores. Esse intervalo está alinhado com estimativas já conhecidas e aceitas pela egiptologia.
Evidências escondidas
A teoria também ajuda a explicar algo que intriga cientistas há anos: os espaços vazios encontrados no interior da pirâmide por tecnologias modernas de escaneamento.
De acordo com o estudo, esses “vazios” podem não ser falhas estruturais, mas sim restos do sistema de rampas internas, em uma espécie de assinatura invisível do método que foi usado na construção.
Além disso, o modelo tem marcas específicas, como padrões de desgaste em certas áreas, que podem ser investigados futuramente para confirmar ou refutar a hipótese.
O que muda com a teoria?
Apesar da inovação, a nova teoria não muda os principais consensos históricos sobre a construção das pirâmides do Egito. Especialistas continuam acreditando que a pirâmide foi construída por volta de 2.560 a.C., durante o reinado do faraó Quéops, e que o trabalho foi realizado por equipes organizadas de trabalhadores especializados, e não por pessoas escravizadas.
O que muda é a forma como se entende a execução da obra monumental, que, na verdade, pode ter usado menos força bruta, e muito mais engenharia inteligente.
Ainda que os avanços tecnológicos e novos modelos digitais ajudem a resolver parte do mistério, ele continua forte. Teorias ainda circulam fora do meio acadêmico, mas estudos como o de Rosell Roig reforçam que a resposta pode estar na combinação entre ciência, arqueologia e engenharia.
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