O governador de Minas Gerais, Itamar Franco, fez um ultimato ao governo federal para retirar as tropas do Exército que protegem a fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso. Essa não é a primeira vez que o Movimento dos Sem Terra ameaça invadir a fazenda Dois Córregos, localizada em Buritis (MG), a 200 quilômetros de Brasília. Em pelo menos outras duas ocasiões o Exército foi chamado para defender a propriedade.Em julho deste ano ocorreu uma ameaça similar. As reivindicações também são parecidas: em julho, os sem-terra pediam mais crédito para assentamento e custeio, e demarcação das terras. O MST queria R$ 7.500,00 por família, para o assentamento de 2 mil famílias. O Exército levou para a área 12 caminhões, jipes, ambulâncias, bombas antidistúrbios, cães farejadores e fuzis automáticos leves. Também foram para a área nove agentes do Comando de Operações Táticas (grupo de elite da Polícia Federal).
Na ocasião, a presença do Exército foi fonte de conflitos entre os governos federal e estadual. Em julho, o vice-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso, classificou a ação como "uma afronta do governo federal". "Ele devia ter comunicado o envio do Exército à Polícia Militar e à Secretaria de Segurança Pública do Estado", acrescentou.
Em novembro ano passado, cerca de 400 famílias ligadas ao MST acamparam na entrada da Fazenda Dois Córregos, quando saquearam um caminhão carregado com adubo e sementes de soja que saía da propriedade. Por causa do saque, o Exército ocupou a fazenda de Fernando Henrique com um efetivo de 250 homens do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP), que ficou na área até a saída dos sem-terra do local. Homens do Comando do Operações Táticas (COT), grupo de elite da Polícia Federal, também chegou a ser deslocado para a propriedade do presidente.
Na época, os sem-terra também exigiam do Incra a liberação de recursos para custeio e investimentos em plantio de grãos. O MST só não invadiu a Fazenda Dois Córregos porque as tropas do Exército posicionaram-se em áreas estratégicas da propriedade. Durante a ocupação, o Exército utilizou 12 caminhões para transportes da tropa, jipes, ambulância, bombas antidistúrbios sociais, cães adestrados e fuzis tipo FAL.
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