Atualizado às 17 horas
O Exército e a Polícia Federal estão vigiando as duas porteiras da Fazenda Córrego da Ponte, que pertence à família do presidente Fernando Henrique Cardoso. Um grupo de manifestantes ligados ao Movimento dos Sem-Terra (MST) está, desde a madrugada, acampando em frente à entrada da fazenda. A fazenda fica no município de Buritis, a 170 quilômetros de Brasília. O MST calcula em 650 o número de manifestantes acampados no local, mas no início da tarde era possível contar pouco mais de 300 pessoas. O MST planeja ficar até o final da próxima semana na frente da fazenda.
Segundo um dos coordenadores nacionais do movimento, Lucídio Ravanello, os manifestantes só irão retornar aos seus acampamentos e assentamentos, em Goiás e Minas, depois que o governo federal anunciar a liberação de recursos para o custeio da safra que começa este ano. Ravanello disse que o governo havia prometido liberar R$ 2 mil extras para cada família, para crédito de custeio. O MST reivindica, ainda, o assentamento imediato de mais 70 mil famílias que estariam acampadas no País.
Além das reivindicações nacionais, os partidários do MST que estão protestando no local querem que o governo federal acelere a compra da fazenda Barriguda, em Minas, para assentamento de famílias ligadas ao movimento que já estão produzindo. Segundo Ravanello, o preço da fazenda já tinha sido acertado, mas o governo teria mudado as regras de pagamento e os proprietários não aceitaram.
Um grupo de sem-terra tentou quebrar o cadeado e a corrente da fazenda, utilizando de uma foice e um pedaço de pau. Os quatro policiais federais que vigiavam a entrada da fazenda pediram reforço e chegaram mais seis agentes, todos armados com escopetas. Os sem-terra desistiram de quebrar o cadeado. Os manifestantes hostilizaram e xingaram os policiais federais, que não reagiram às provocações.
Todos os policiais são do Comando de Operações Táticas (COT), um grupo de elite da PF que cuida de ações de campo, principalmente contra o narcotráfico. A PF chegou à fazenda antes dos sem-terra. Os soldados do Exército, do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP), teriam chegado à fazenda às 10 horas. Alguns soldados estão utilizando coletes à prova de balas. Ravanello não descarta a possibilidade de invasão da Córrego da Ponte.
"A possibilidade é uns 50% sim e uns 50% não", disse o coordenador do MST. "Mas o principal objetivo nosso aqui é realizar uma vigília." Ravanello criticou o governo por utilizar o Exército para proteger a fazenda do presidente da República. "O governo está colocando o Exército numa situação de combate contra a população."
Governo explica presença do Exército em nota oficial
Muito embora estivesse ocorrendo diálogo entre o Instituto Nacional de colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), relacionado com reivindicações de famílias acampadas no
município de BURITIS-MG, surgiram fortes indícios de preparativos para a invasão da Fazenda Córrego da Ponte, domicílio eventualmente utilizado pelo Senhor Presidente da República e seus familiares, localizada naquele município.
Antecipando-se aos fatos, aconteceu troca de correspondência entre o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e o Governo de Minas Gerais, com o primeiro solicitando a adoção das medidas preventivas
cabíveis ao caso.
Considerando o posterior deslocamento de grande quantidade de integrantes do MST na direção da fazenda e a demora nas tratativas com o Governo do Estado, o Governo Federal decidiu empregar - em ação preventiva - força federal,
tendo para lá deslocado militares do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP) e integrantes da Polícia Federal, na noite de 11 de setembro.
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