Pela segunda vez no ano, o governo foi surpreendido pela invasão de prédios públicos pelo MST. Somente na manhã de segunda-feira, quando vários órgãos já estavam ocupados, é que o núcleo de conflitos agrários da Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência foram acionados, até para dar segurança à fazenda da família de Fernando Henrique Cardoso, aonde chegaram antes dos manifestantes. Pelo levantamento da da PF, cerca de 3 mil sem-terra participam de ocupações no País. A onda de invasões em abril levou o Planalto a lançar um pacote de medidas e, em 4 de maio, os ministros da Justiça, José Gregori, e do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, anunciaram a criação do Núcleo de Conflitos Agrários e Fundiários na PF. Mas ontem, primeira atuação efetiva do grupo, não se haviam obtidos os resultados esperados.
Em Porto Alegre, por exemplo, a tática não deu certo. Os sem-terra recusavam-se a negociar, chegando a fazer lanças de bambu e se armar de foices. Gregori tentou ainda na segunda-feira discutir o assunto com o governador gaúcho Olívio Dutra (PT). Mas só ontem de manhã Dutra ligou de volta para o ministro.
No caso da fazenda em Buritis, a tática foi diferente. A Polícia Militar de Minas foi informada, mas não enviou policiamento. Diante disso, ficou decidido que a PF e o Exército só atuariam se houvesse tentativa de invasão. "Nossa preocupação é da porteira para dentro", disse um delegado que acompanha a operação. "Fora da porteira o problema é da PM."
Segundo assessores do Ministério da Justiça, o governo não foi pego de surpresa, já que soube das invasões um dia antes. A tática, porém, foi a de evitar o confronto, preferindo aguardar as reintegrações de posse determinadas pela Justiça.
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