O dirigente nacional do Movimento dos Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior, disse que a posição do governo federal, de romper o diálogo com o movimento, deve agravar o clima de tensão já existente e aumentar a onda de invasões de prédios públicos e propriedades rurais em todo o País. "Vamos continuar com as invasões mesmo e, se não houver uma solução, a situação se agrava", disse. De acordo com Rainha, o governo "fez esta besteira porque não tem dinheiro e não pode cumprir a promessa de liberar R$ 600 milhões em financiamentos para o custeio agrícola". Segundo ele, a promessa de liberação do recurso foi feita durante os últimos entendimentos mantidos entre a direção do MST e o governo federal. " Não temos mais o que esperar", acrescentou. O líder respondeu também às declarações do secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania, Edson Luiz Vismona, para quem a ameaça de Rainha, de incendiar os latifúndios do Pontal, não passa de uma guerra de declarações. "O Vismona sabe que nenhuma família foi assentada no Pontal sem que houvesse lutas e ocupações", afirmou.
Rainha afirma que os sem-terra do Pontal estão preocupados com o anúncio que o secretário fará, sexta-feira, da meta de sua pasta para a aplicação de R$ 22 milhões repassados pelo Incra para serem aplicados em São Paulo. "O que queremos saber é quantas famílias serão assentadas com esse dinheiro", garantiu.
Os 600 trabalhadores que integram a "Marcha pela Reforma Agrária", iniciada domingo, em Teodoro Sampaio e que quinta-feira chegará a Presidente Prudente enfrentaram hoje mais de uma hora e meia de forte chuva, até chegarem ao Centro Comunitário de Tarabaí, para o pernoite. O grupo saiu às 6h30 de Sandovalina. Rainha informou que em conseqüência do mau tempo, as crianças tiveram que ser colocadas em automóveis e até em veículos das polícias rodoviária e militar, que acompanham a marcha.
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