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Sem-terra tomam técnico do Incra como refém no sul do MS

Terça, 12 de setembro de 2000, 17h14min
Atualizado às 03h23

Mais de 40 sem-terra acampados em Deodápolis, no sul de Mato Grosso do Sul, mantêm como refém desde ontem o funcionário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) Marcelo Brandão. Ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), os sem-terra estão acampados na frente da Fazenda Austrália e querem que o instituto explique por que seus técnicos definiram uma várzea da propriedade como área produtiva.

Somente um laudo da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) poderá resolver o problema, mas, segundo o agrônomo da CUT Claudinei Chalito da Silva, o Incra está "prorrogando a ida do técnico da Sema ao local". O superintendente regional do instituto, Celso Cestari, ressaltou que desde anteontem o órgão não está funcionando no Estado, porque a sede em Campo Grande está ocupada por policiais, que impediram que o local fosse tomado por um grupo de 300 militantes do movimento.

Ao todo, segundo a direção do MST, foram promovidas ações em 13 Estados, entre as quais a ameaça de invasão da fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso em Buritis (MG). Foram ocupadas as sedes do Incra em Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Belo Horizonte, Cuiabá, Cáceres (MT), Campo Grande e Ji-Paraná (RO). O prédio da Receita Federal em Porto Alegre também foi invadido.

Os cerca de 150 invasores do Incra em Belo Horizonte improvisaram até uma cozinha no local, onde foi preparado o café da manhã e o almoço. "Temos alimentos guardados para ficar aqui o tempo que for preciso, até que o governo federal atenda nossas reivindicações", disse Mauro Lemes, um dos coordenadores do MST em Minas.

Em São Paulo, o MST promoveu marcha com cerca de 800 pessoas entre Teodoro Sampaio e Presidente Prudente. Na Hidrelétrica de Itá, na divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, houve manifestação conjunta do MST e do Movimento dos Atingidos por Barragens, com aproximadamente 6 mil pessoas.

Acordo - Segundo a direção nacional do MST, a principal motivação das invasões foi o descumprimento pelo governo do acordo feito em julho com o MST e outros movimentos da área rural. Na ocasião, o governo comprometeu-se a assentar ainda este ano a maioria das 100 mil famílias acampadas, a liberar R$ 600 milhões em créditos para o Programa Nacional de Agricultura Familiar - R$ 2 mil por família assentada - para a safra de 2000-2001, outros R$ 22 milhões para o programa de alfabetização nos assentamentos, além de definir novos prazos para pagamento das dívidas de pequenos agricultores.

"O governo alega que não há dinheiro e a época de plantio está acabando, por isso vamos manter as ocupações até o dinheiro sair", disse Delweck Matheus, da direção nacional do MST. Segundo ele, os assentandos não receberam ainda os R$ 160 milhões que o governo diz ter liberado para os Estados. "Mesmo que esse dinheiro esteja a caminho, não é suficiente para realizar nem um quarto dos projetos de plantio aprovados no ano passado pelo Incra e pelos bancos", comentou. Matheus ressalta ainda que, das 100 mil famílias acampadas segundo dados oficiais, o governo assentou apenas 14 mil.

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Agência Estado / O Estado de S. Paulo

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