Parlamentares de diferentes partidos mostraram-se apreensivos com a ameaça do Movimento dos Sem Terra (MST) de invadir prédios públicos e a Fazenda Buritis, do presidente Fernando Henrique Cardoso. Para o deputado José Genoíno (PT-SP), o MST "está provocando um confronto que não é aconselhável". "Não se pode quebrar prédios públicos nem invadir a fazenda do presidente", defendeu. Genoíno afirmou que a iniciativa não tem nem o aval nem o apoio do PT. "É uma questão de autonomia do movimento", frisou.O líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), disse que esse tipo de procedimento prejudica o próprio MST porque se trata na realidade de um crime contra a ordem pública. "Esta não é uma forma legalizada de luta social", criticou. O líder disse que está preocupado com a situação. Também o presidente e líder do PMDB no Senado, Jader Barbalho (PA), se posicionou contrário às invasões do MST. Ele lembrou que o direito de propriedade não pode ser desrespeitado em nenhum hipótese, "muito menos pela radicalização". Na avaliação do senador, a questão deve ser tratada pelo diálogo e não pela força. "A radicalização é um engano", argumentou.
O líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE), disse que a sua posição é a mesma da maior parte da sociedade brasileira, de contestar toda e qualquer iniciativa, do MST ou de qualquer outra entidade, que infrinja a lei. "Sem ordem, não chegaremos a lugar nenhum", alegou. Na sua opinião, a ameaça de invadir a fazenda o presidente da República "é uma provocação, um desafio à autoridade". Segundo ele, a situação é ainda mais imprópria se comparada a dados oficiais sobre o número de assentamentos feitos no governo de Fernando Henrique. Inocêncio disse que nunca se assentou tanto no País como agora. Além disso, o governo também estaria proporcionando condições para as pessoas explorarem a terra.
O senador Freitas Neto (PFL-PI) defendeu que a reação do MST pode prejudicar a reforma agrária, porque na prática se limitaria a uma tentativa de "politizar" da ocupação da terra. O senador aconselhou os militantes do movimento a serem "mais objetivos e menos políticos". O senador Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO) disse não acreditar que a iniciativa do MST possa vir a se constituir uma ameaça à segurança nacional, mas que ainda assim vê o quadro com preocupação. Para ele, as ameaças refletem diretamente na sociedade e não no governo, como o MST dar a entender.
O senador disse que não considera justo esse tipo de mecanismo para apressar a reforma agrária. Até porque teria coincidido com a votação no Congresso de um pedido de empréstimo externo destinado à consolidar a reforma.
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