Regressão no desfralde: entenda por que algumas crianças voltam a ter escapes

Especialista ensina como acolher a criança e tornar o processo de voltar ao banheiro mais seguro e natural

2 fev 2026 - 16h31

Depois de semanas ou até meses usando o banheiro sozinha, é comum que algumas crianças voltem a ter escapes ou passem a pedir novamente a fralda. A situação costuma pegar os pais de surpresa e levantar dúvidas sobre o que aconteceu no processo do desfralde. Na maioria das vezes, porém, esse comportamento está ligado a fases de adaptação, como troca de escola, chegada de um irmão, novos professores ou mudanças na rotina familiar, momentos que podem gerar insegurança emocional.

Mudanças na rotina, troca de escola ou momentos de insegurança podem fazer a criança regredir temporariamente
Mudanças na rotina, troca de escola ou momentos de insegurança podem fazer a criança regredir temporariamente
Foto: Hazal Ak | Shutterstock / Portal EdiCase

Mas será que isso é um mau sinal? Segundo o especialista em desenvolvimento infantil Dr. André Ceballos, nem sempre. A regressão pode ser apenas uma forma de a criança expressar emoções que ainda não consegue colocar em palavras. "A criança pequena não consegue traduzir tudo o que sente. O corpo acaba sendo um caminho de expressão e, diante de uma mudança importante, ela pode oscilar em habilidades que já tinha aprendido", explica o médico.

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Quando as emoções interfere no processo

De acordo com o especialista, o desfralde não depende apenas do amadurecimento fisiológico, mas também do equilíbrio emocional. Quando a criança enfrenta situações fora do habitual, o controle do xixi e do cocô pode falhar temporariamente, sem que isso signifique perda do aprendizado.

O problema, segundo o Dr. André Ceballos, é quando os adultos reagem com broncas ou constrangimento. "Quando o adulto repreende, a criança se sente envergonhada e ansiosa, e isso tende a aumentar os episódios. O desfralde precisa ser um processo seguro e positivo. Na maioria das vezes, quando ela volta a se sentir segura e adaptada à rotina, o controle retorna naturalmente", reforça.

Escutar medos e inseguranças e oferecer idas regulares ao banheiro são ações que contribuem para que o controle volte de forma natural
Foto: New Africa | Shutterstock / Portal EdiCase

Como ajudar a criança a retomar o desfralde

Algumas atitudes simples podem fazer uma grande diferença nesse momento. Mais do que acelerar resultados, o foco deve estar em criar um ambiente de segurança e confiança, no qual a criança se sinta acolhida para atravessar essa fase sem medo ou pressão. Busque:

  • Evitar punições e comparações com outras crianças;
  • Valorizar quando a criança consegue usar o banheiro;
  • Manter uma rotina previsível em casa;
  • Conversar e acolher medos e inseguranças;
  • Avisar com antecedência sobre mudanças na rotina;
  • Oferecer idas regulares ao banheiro, sem pressão.

Em alguns casos, pode ser necessário dar um pequeno passo atrás por um período. "Se a criança pede fralda para dormir ou passa a ter muitos escapes, não há problema em recuar temporariamente. O mais importante é preservar o bem-estar emocional", orienta o médico.

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Quando é hora de procurar ajuda?

Vale observar a duração e a intensidade da situação. Segundo o especialista, se a regressão se mantém por meses, aparece junto à dor ao urinar, a alterações bruscas de comportamento ou a sinais intensos de ansiedade, é importante procurar um pediatra ou especialista em desenvolvimento infantil para investigar.

Apesar da preocupação inicial, a fase também pode fortalecer vínculos. "Quando os pais acolhem, demonstram paciência e oferecem segurança, a criança atravessa esse momento mais confiante e o processo se reorganiza", conclui o Dr. André Ceballos.

Por Alice Veloso

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