Médico denuncia negligência de hospital após esposa ficar em estado vegetativo depois de cirurgia

O oftalmologista lista uma sequência de erros que podem ter ocasionado as paradas cardiorrespiratórias que a mulher sofreu

31 jan 2026 - 14h58
(atualizado às 15h18)
Resumo
Médico denuncia negligência no Hospital Esperança, no Recife, após sua esposa entrar em estado vegetativo devido a falta de oxigenação durante cirurgia considerada simples.
Paulo Menezes ao lado da esposa, Camila, que está em estado vegetativo
Paulo Menezes ao lado da esposa, Camila, que está em estado vegetativo
Foto: Reprodução/Instagram

O médico oftalmologista Paulo Menezes fez uma denúncia pública contra profissionais do Hospital Esperança, localizado no Recife (PE), após sua esposa entrar em estado vegetativo depois de ser submetida a uma cirurgia que deveria ser simples. O procedimento foi realizado no dia 27 de agosto, e, cinco meses depois, Camila Menezes, de 38 anos, continua internada em reabilitação. 

Segundo Paulo, Camila deu entrada na unidade de saúde para corrigir uma hérnia inguinal e retirar uma pedra na vesícula. A hérnia havia sido adquirida na gravidez da segunda filha do casal. O médico cita uma série de acontecimentos que, para ele, demonstram negligência dos profissionais que atuaram na cirurgia da esposa.

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A mulher teria tido uma parada cardiorrespiratória que durou cerca de 15 minutos. "Depois a gente foi investigar, a gente pegou os parâmetros do monitor multiparamétrico, é aquele que dá a frequência cardíaca, respiratória, a saturação de oxigênio, se o coração está batendo ou não e do jeito certo ou não. E, para nossa surpresa, já se notou que, a partir da indução anestésica, o pulmão não estava sendo ventilado", afirmou. 

Paulo diz que não sabe onde erraram. "Mas o fato é que o oxigênio não estava chegando ao pulmão", disse. 

Para ele, se a equipe médica tivesse notado rápido que Camila não estava recebendo oxigênio, era um problema fácil de ser resolvido. "Seria uma mera intercorrência, vamos dizer assim. Mas não foi o que aconteceu. A capnografia, que deveria ser de 35 a 40, permanecia em 1 ou 2 o tempo todo. E permaneceu assim entre cerca de 6 a 10 minutos até que a cirurgiã começou a fazer a cirurgia", disse. A capnografia refere-se ao monitoramento da concentração ou pressão parcial de dióxido de carbono nos gases respiratórios.

Ainda de acordo com o relato, a mulher passou pelo procedimento cirúrgico todo em apneia. Pelas análises das máquinas de monitoramento da paciente durante a cirurgia, a falta de oxigênio fez com que o coração diminuísse a frequência dos batimentos. Ainda assim, a médica responsável pelo procedimento teria ignorado o alarme, chamado por Paulo de "bip", dado pela máquina.  

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"E por dois minutos e meio a três, me baseando pelos dados do monitor, nada foi feito. A cirurgia terminou  com minha mulher em parada cardíaca. E aí ela coloca no prontuário que a cirurgia transcorreu sem intercorrência", disse Paulo, acusando a médica de negligência. 

Ele finalizou o relato dizendo que está se dividindo entre as funções de pai, marido e médico. A família mora em Arcoverde, a cerca de 1h20 do Recife de carro, e Paulo precisa ficar entre as duas cidades para visitar a esposa e cuidar dos filhos. 

O Terra não conseguiu contato com o Hospital Esperança para publicar seu posicionamento sobre o caso. O espaço permanece aberto. 

Fonte: Portal Terra
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