Paloma Alves Moura, de 46 anos, morreu após sangrar por horas sem atendimento adequado no Hospital do Tricentenário, em Olinda, com relatos de omissão devido a suspeita de aborto; o caso é investigado pelo Ministério Público e Polícia Civil.
A chef de cozinha Paloma Alves Moura, de 46 anos, morreu após passar horas aguardando atendimento médico no Hospital do Tricentenário, em Olinda, Pernambuco. A unidade é administrada pela congregação Unidade da Santa Cruz, sob o modelo de Organização Social de Saúde (OSS). Segundo amigos, Paloma não recebeu o atendimento adequado porque a equipe médica suspeitava que ela estivesse passando por um aborto induzido. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
Thaís Leal, de 40 anos, amiga que esteve ao lado de Paloma durante o tempo no hospital, contou à Folha de S.Paulo que a chef permaneceu o dia todo com sangramento intenso enquanto esperava o resultado de um exame de gravidez. “Ela deu entrada no hospital entre 7h e 8h, com muita dor e sangramento abundante”, relatou Thaís ao jornal.
Paloma deu entrada no hospital com sangramento provocado por miomas uterinos. Thaís relata que chegou ao local por volta das 10h, para revezar com a filha de Paloma na função de acompanhante. “Assim que entrei, vi Paloma com um sangramento intenso. Ao longo do dia, foram usados mais de três lençóis, todos completamente encharcados de sangue", relatou.
Amigos e familiares de Paloma afirmam que, mesmo durante as horas críticas de sangramento, ela não recebeu medicação nem foi solicitada transferência. Eles atribuem essa omissão à suspeita de aborto induzido. Thaís contou que, por volta das 14h, chegou a pedir a transferência da amiga.
“Ela estava ficando roxa, a boca pálida, já estava perdendo muito sangue. Eu pedi: por favor, transfere minha amiga, ela vai morrer”, lembra. A resposta que recebeu foi de que a transferência só seria possível após a liberação do resultado do exame beta HCG. “Eu disse: mas ela não está grávida”, contou a amiga à Folha.
Caso está sendo investigado
Em nota ao Terra, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Olinda, com atuação na Promoção da Saúde, informa que instaurou procedimento sobre o caso de morte da mulher. O procedimento instaurado visa à apuração dos fatos e responsabilidades, bem como à adoção das medidas cabíveis, no âmbito das atribuições do Ministério Público.
Já a Polícia Civil de Pernambuco informou que registrou a ocorrência no dia 17 de outubro, por meio da 7ª Delegacia de Olinda. Um inquérito policial foi instaurado para apurar os fatos e as investigações seguem em andamento.
A reportagem procurou o Hospital Tricentenário, mas não obteve resposta. À Folha de S.Paulo, a instituição informou que a paciente deu entrada na emergência obstétrica no dia 8, relatando sangramento há cerca de 15 dias e histórico de miomatose uterina. Após avaliação médica, foi internada, medicada e exames apontaram queda acentuada da hemoglobina.
O hospital afirmou que solicitou a transferência para uma unidade de maior complexidade, mas, diante da piora clínica e instabilidade, a paciente sofreu uma parada cardiorrespiratória. Segundo a instituição, ela foi levada à UTI da própria unidade, onde passou por manobras de reanimação, mas teve a morte confirmada por volta das 19h.
Nas redes sociais, o Fórum de Mulheres de Pernambuco, juntamente com o Controle Social do Comitê Estadual de Estudos de Mortalidade Materna e a Escola Territórios Afetivos, repudiou o ocorrido e pediu por justiça.