Canetas emagrecedoras: por que a promessa de emagrecimento rápido pode afetar sua saúde mental?

Nos últimos anos, observamos um crescimento expressivo na busca pelas chamadas canetas emagrecedoras, que prometem uma perda de peso rápida, promessa que de fato, se concretiza. Ainda assim, chama atenção o caráter quase pandêmico que esse movimento vem assumindo. Inicialmente indicados para o tratamento do diabetes, esses fármacos passaram a ocupar o cotidiano de milhões […] O post Canetas emagrecedoras: por que a promessa de emagrecimento rápido pode afetar sua saúde mental? apareceu primeiro em Vibe Mundial FM.

5 fev 2026 - 10h53

Nos últimos anos, observamos um crescimento expressivo na busca pelas chamadas canetas emagrecedoras, que prometem uma perda de peso rápida, promessa que de fato, se concretiza. Ainda assim, chama atenção o caráter quase pandêmico que esse movimento vem assumindo. Inicialmente indicados para o tratamento do diabetes, esses fármacos passaram a ocupar o cotidiano de milhões de pessoas como atalhos para o corpo ideal. Mas, quando o emagrecimento se transforma em uma busca desesperada por aceitação e valorização estética, surge uma pergunta inevitável: o que isso tem feito com a mente?

mulher segurando uma fita métrica
mulher segurando uma fita métrica
Foto: Vibe Mundial

Canetas emagrecedoras sob ponto de vista da psicologia

Do ponto de vista da psicologia, é fundamental lembrar que a relação com o corpo nunca está separada da forma como nos percebemos como pessoas. Corpo, identidade e autoestima caminham juntos. Pesquisas indicam que indivíduos com altos níveis de insatisfação corporal, vergonha em relação ao próprio corpo ou foco excessivo no peso tendem a buscar esses medicamentos, muitas vezes aceitando inclusive seus efeitos colaterais. Esse movimento, impulsionado por um imaginário cultural que associa magreza a valor e merecimento, revela mais do que o desejo de mudar o corpo: revela feridas internas que não se curam apenas com intervenções médicas.

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Não há evidências da relação de perda de peso e autoestima

A ciência ainda começa a mapear essa dimensão psicológica. Até o momento, não há evidências sólidas de que a simples perda de peso leve automaticamente a melhorias profundas na autoestima ou na saúde mental. Em alguns casos, observa-se justamente o contrário: o emagrecimento rápido pode reforçar padrões de pensamento em que o valor pessoal fica condicionado ao corpo. Por isso, é essencial olhar para os motivadores internos que alimentam essa busca acelerada por determinados padrões estéticos. Órgãos reguladores, como o FDA e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), vêm reforçando o monitoramento de possíveis efeitos adversos psicológicos, incluindo sintomas de ansiedade, alterações de humor e, em casos isolados, episódios depressivos.

Os desafios invisíveis do emagrecimento rápido

O emagrecimento acelerado, impulsionado pelo uso de medicamentos, costuma ser apresentado como uma solução objetiva. No entanto, seus impactos psicológicos menos visíveis merecem atenção

O fim do "ruído alimentar"

Ao reduzir os pensamentos constantes sobre comida, o chamado food noise, muitas pessoas perdem uma de suas principais formas de regulação emocional. Sem suporte psicológico, esse silêncio pode dar lugar a sentimentos de vazio, tristeza ou irritabilidade.

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Cérebro, prazer e motivação

Esses medicamentos atuam nos centros de recompensa do cérebro. Estudos indicam que a modulação da dopamina pode reduzir o prazer não apenas em relação à comida, mas também em atividades cotidianas antes prazerosas, fenômeno conhecido como anedonia.

Quando o corpo muda mais rápido que a mente

A perda de peso acelerada pode gerar um descompasso entre a imagem corporal e a vivência psíquica. Mesmo após mudanças físicas significativas, algumas pessoas continuam se percebendo no "corpo antigo", favorecendo frustração, insegurança e novas obsessões estéticas.

Controle excessivo e perfeccionismo

Quando o emagrecimento se torna um objetivo absoluto, pode surgir um padrão de vigilância constante sobre o corpo e o comportamento. Esse movimento costuma estar associado à ansiedade, ao medo de perder valor pessoal e à dificuldade de lidar com imperfeições.

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Reforço de crenças rígidas sobre valor e aparência

A promessa de resultados rápidos pode fortalecer mitos culturais sobre o "corpo ideal", fazendo com que a autoestima fique ainda mais condicionada à aparência e a padrões difíceis de sustentar emocionalmente.

Intensificação de sintomas emocionais em alguns casos

Embora a ciência ainda busque diferenciar causalidade de correlação, relatos clínicos e o monitoramento de agências reguladoras acendem um alerta para possíveis efeitos colaterais na saúde mental, como picos de ansiedade, sintomas depressivos e pensamentos intrusivos.

Por que não basta emagrecer para cuidar da mente

O corpo pode mudar, mas a forma como pensamos, sentimos e nos relacionamos conosco não se transforma automaticamente com a perda de peso. A autoestima não nasce na balança. Ela se constrói ao longo do tempo, nas narrativas internas, no cuidado terapêutico, no acolhimento das emoções e nos significados que atribuímos ao corpo e à própria história.

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Enquanto a medicina oferece ferramentas importantes para o funcionamento físico, a psicologia nos lembra que saúde integral acontece quando corpo, mente e história pessoal caminham juntos. Ignorar essa dimensão emocional é tratar apenas uma parte do problema.

Na clínica, é comum perceber que o desejo intenso de mudar o corpo muitas vezes reflete feridas emocionais profundas: padrões antigos de comparação, sentimentos de não merecimento e a crença de que só seremos aceitos ao atingir um ideal estético. Diante dessas dores, o uso de medicamentos pode até auxiliar, mas não basta. É preciso um olhar mais cuidadoso, compassivo e estruturado sobre essa busca. Um olhar que considere quem a pessoa é, o que viveu e o que realmente espera encontrar nessa transformação.

Thais Rosa é Psicóloga e Psicanalista, apresenta o "Madrugada Astral", toda quarta-feira, a partir das 00h30, na Rádio Vibe Mundial e Astral TV.

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