Celebrado em 5 de fevereiro, o Dia do Dermatologista reforça a importância de cuidar da saúde da pele, dos cabelos e das unhas com acompanhamento especializado. Apesar de ser o maior órgão do corpo humano e a principal barreira de proteção contra agentes externos, a pele ainda recebe pouca atenção dos brasileiros, que costumam procurar ajuda médica apenas diante de incômodos mais evidentes.
Um levantamento do dossiê "Brasil à Flor da Pele", realizado pela L'Oréal em parceria com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), revelou que mais da metade da população nunca passou por uma consulta com o dermatologista, acendendo um alerta para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do cuidado contínuo com a pele, os cabelos e as unhas.
"Existe uma ideia equivocada de que o dermatologista é um médico voltado exclusivamente para a estética, quando, na realidade, ele atua na prevenção, no diagnóstico e no tratamento de doenças que podem impactar seriamente a saúde e a qualidade de vida", explica a Dra. Lorena Mesquita, professora da pós-graduação em Dermatologia da Afya Ribeirão Preto. Segundo a médica, a estética é apenas um dos pilares da área, que abrange mais de três mil doenças da pele, dos cabelos e das unhas e pode contribuir para o diagnóstico precoce de condições sistêmicas.
Acompanhamento médico é essencial
A Dra. Lorena Mesquita alerta que problemas aparentemente simples não devem ser subestimados. Condições comuns, como acne persistente, manchas, coceiras frequentes, queda de cabelo e alterações nas unhas, costumam ser negligenciadas ou tratadas de forma inadequada, o que pode atrasar o início do tratamento correto e favorecer complicações. "A pele dá sinais o tempo todo, e ignorá-los ou recorrer apenas à automedicação pode mascarar doenças inflamatórias, infecciosas ou até câncer de pele", alerta.
Automedicação pode mascarar problemas mais sérios
A Dra. Lorena Mesquita enfatiza, ainda, que a automedicação, o uso de receitas caseiras ou de produtos indicados por terceiros podem até aliviar sintomas de forma temporária, mas também retardam diagnósticos importantes. Acne persistente, por exemplo, pode evoluir para cicatrizes permanentes; manchas podem estar associadas a alterações hormonais ou inflamatórias; e a queda de cabelo pode refletir doenças internas.
Para a médica da Afya, a pele funciona como um verdadeiro espelho da saúde do organismo, e sinais como vermelhidão persistente, lesões que não cicatrizam, pintas que mudam de cor ou formato e coceiras crônicas devem ser encarados como alertas. "Quanto mais cedo o paciente busca avaliação especializada, maiores são as chances de um tratamento eficaz e de evitar complicações. O diagnóstico precoce salva a pele, preserva a qualidade de vida e, em alguns casos, salva vidas", destaca.
Motivos para ir com mais frequência ao dermatologista
A médica elenca alguns dos principais motivos que reforçam a importância de consultas regulares com o dermatologista:
- Manchas novas ou mudanças em pintas, especialmente se crescerem, mudarem de cor ou formato;
- Acne persistente, principalmente quando não melhora com cuidados básicos;
- Queda de cabelo intensa e repentina;
- Coceiras, vermelhidão ou descamação frequentes;
- Alterações nas unhas, como manchas, deformidades ou enfraquecimento;
- Exposição solar excessiva, histórico familiar de câncer de pele ou pele muito clara;
- Avaliação preventiva anual, mesmo na ausência de sintomas aparentes;
- Feridas que não cicatrizam ou lesões que sangram com facilidade;
- Mudanças na textura da pele, como áreas endurecidas com nodulações ou abaulamentos;
- Alterações de sensibilidade da pele e/ou manchas esbranquiçadas associadas.
Por Beatriz Felicio