Famílias e escolas devem dialogar no retorno às aulas

Retorno deve se basear em acolhimento, empatia e respeito às diferentes realidades familiares

19 fev 2026 - 14h38

Especialista alerta que o retorno às aulas e a entrada em novas instituições devem ser processos graduais

Muitos brincam que o ano só começa realmente após o Carnaval. Com a volta às aulas, as preocupações dos pais costumam se concentrar em três pontos: materiais de estudo, rotinas diferentes e a adaptação dos filhos às novas etapas escolares. Essas angústias aumentam quando o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) ressalta a importância da escolha de ambientes escolares acolhedores e emocionalmente seguros. Segundo a instituição, esse fator é determinante para o aprendizado e para o bem-estar infantil.

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Foto: Revista Malu

Em meio a tantos desafios e expectativas, Priscilla Montes, educadora e palestrante, especialista em Neuroeducação e Desenvolvimento Infantil, destaca a importância do preparo emocional dos pais e das lideranças escolares. "É importante que família e escola caminhem juntas, com respeito ao tempo, a história e a sensibilidade de cada criança. Assim, o processo de adaptação deixa de ser uma ruptura e passa a ser uma transição segura, acolhedora e promotora de aprendizagem", afirma Priscilla Montes.

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A educadora também explica que o processo de adaptação deve ser conduzido de forma gradual e respeitosa pelas instituições escolares. E claro, contando com participação ativa das famílias. Montes indica que crianças com dificuldades nesse período costumam apresentar sinais como ansiedade, resistência à rotina escolar, alterações no sono e no comportamento.

Nesses casos, a especialista recomenda a utilização de uma comunicação aberta e transparente entre pais e instituição de ensino. Esse pilar é essencial para identificar desafios e construir soluções conjuntas.

Respeito e conscientização

O desenvolvimento socioemocional é parte fundamental da formação integral do aluno, exigindo das escolas uma postura mais flexível e sensível às diferentes dinâmicas familiares. Famílias monoparentais, lares multigeracionais, crianças em processo de luto, separação ou mudanças significativas na rotina demandam atenção específica e estratégias pedagógicas adaptadas. Em especial, que levem em conta o contexto de cada estudante.

Outro ponto central levantado por Priscilla Montes é a promoção de uma educação baseada no respeito, no apoio mútuo e na conscientização sobre as relações entre gêneros. De acordo com dados do Ministério da Educação (MEC), escolas que incentivam a empatia, o diálogo e a convivência respeitosa contribuem para a redução de conflitos e para a construção de um ambiente mais saudável para alunos, educadores e famílias.

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"Diante desse cenário, o desafio das instituições de ensino não é apenas adaptar o aluno à escola, mas também adaptar a escola ao aluno. Investir em escuta ativa, formação continuada de educadores e parceria com as famílias torna-se um caminho fundamental para garantir que a adaptação escolar seja uma experiência positiva. É preciso fortalecer vínculos promovendo o desenvolvimento emocional, social e cognitivo das crianças" conclui Priscilla.

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