A síndrome de Hashimoto é uma doença autoimune que afeta diretamente a tireoide. Ela também é conhecida como tireoidite de Hashimoto.
De acordo com a Dra. Paula da Rocha Jaskulski, médica especializada em endocrinologia e metabologia pela Unicamp, trata-se de uma inflamação autoimune crônica da glândula tireoide.
A tireoide produz os hormônios T3 e T4, fundamentais para o metabolismo do corpo. Quando a glândula passa a funcionar menos, surge o hipotireoidismo.
Na síndrome de Hashimoto, o próprio sistema imunológico ataca a tireoide. Com o tempo, isso reduz a produção hormonal e afeta várias funções do organismo.
Sintomas da síndrome de Hashimoto
Quando o funcionamento da tireoide cai, o metabolismo desacelera. Segundo a Dra. Jaskulski, os sintomas mais comuns são:
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Cansaço frequente.
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Sonolência aumentada.
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Alterações menstruais.
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Redução da libido.
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Dificuldade de concentração.
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Constipação intestinal.
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Pele ressecada.
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Batimentos cardíacos mais lentos.
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Queda de cabelo.
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Retenção de líquidos e ganho de peso em torno de 3 kg.
Esses sinais costumam aparecer de forma progressiva. Muita gente demora para relacionar os sintomas à síndrome. Por isso, é importante procurar avaliação médica diante de vários desses sinais.
Como é feito o diagnóstico da síndrome de Hashimoto?
Após o aparecimento dos sintomas, o próximo passo é investigar com exames. O principal exame de sangue é a dosagem de TSH.
O TSH é um hormônio produzido pela hipófise. Ele funciona como o "maestro" da tireoide.
A lógica é a seguinte, como explica a especialista:
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Quando a tireoide reduz a produção de T3 e T4, o TSH aumenta.
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Esse aumento tenta compensar a queda hormonal.
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No começo, o corpo consegue manter certo equilíbrio.
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Com o tempo, o esforço não basta mais.
Nesse ponto, os níveis de T3 e T4 caem de forma mais acentuada. É o chamado hipotireoidismo franco.
Além do TSH, normalmente o médico também solicita T3, T4 e anticorpos específicos. Assim, é possível confirmar a síndrome de Hashimoto e sua fase.
Síndrome de Hashimoto tem cura?
A doença é considerada crônica e não tem cura definitiva. Mas o tratamento costuma ser eficiente para controlar os sintomas. Segundo Paula da Rocha Jaskulski, o tratamento base é a reposição hormonal com levotiroxina.
A dose varia conforme cada paciente. Muitas vezes, são necessários ajustes ao longo do acompanhamento. Existem especulações sobre substâncias que poderiam reduzir o ataque às células da tireoide. Entre elas, selênio e vitamina D.
Porém, a endocrinologista lembra que os estudos ainda não comprovaram esse benefício.
Ou seja, não existe consenso científico sobre essas estratégias.
Alimentação e cuidados no dia a dia
Conviver com a síndrome de Hashimoto também exige atenção à alimentação.
Alguns alimentos devem ser consumidos com moderação.
A médica cita exemplos como:
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Couve-flor.
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Soja.
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Nabo.
Esses alimentos são ricos em isoflavonas e tiocianato. Essas substâncias podem reduzir a absorção intestinal de iodo.
Em teoria, isso poderia acelerar a progressão do hipotireoidismo em alguns casos. Por isso, o consumo deve ser equilibrado, nunca exagerado.
É importante reforçar: não é necessário cortar tudo completamente. O ideal é sempre seguir orientação individual de um profissional de saúde.
Estilo de vida e proteção da tireoide
Além de medicamento e alimentação adequada, o estilo de vida faz diferença. A Dra. Jaskulski ressalta a importância de hábitos saudáveis para quem tem a síndrome.
Entre as recomendações estão:
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Manter rotina de atividade física regular.
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Adotar alimentação balanceada.
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Reduzir ou evitar excesso de álcool.
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Abandonar o tabagismo.
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Cuidar do controle do estresse.
Essas medidas ajudam a proteger o organismo como um todo. Também evitam a piora do quadro e a evolução mais rápida da doença.
Quando procurar um endocrinologista?
Se você apresenta vários dos sintomas citados, vale buscar avaliação médica. Principalmente se houver casos de problemas na tireoide na família.
O endocrinologista é o especialista indicado para investigar a síndrome de Hashimoto. Ele poderá solicitar exames, definir o tratamento e orientar o acompanhamento. Quanto antes o diagnóstico é feito, melhor o controle dos sintomas. E maior a chance de manter sua qualidade de vida.