Depois de uma aula de pilates, a cientista cosmética e influenciadora Juliana Pegos precisou ficar cinco dias internada para tratar uma condição pouco comum: a rabdomiólise. O problema, embora raro, pode surgir após a prática de qualquer exercício físico mais intenso.
"Eu fiz uma aula de pilates com exercícios novos de braço, nada que parecesse muito absurdo ou incomum. Nos primeiros dias, eu só senti uma dor muscular bem intensa, mas nada que me assustasse, porque parecia só uma dor pós-treino", cita em publicação nas redes sociais.
Dois dias depois, seus braços começaram a inchar. Vieram também uma dor mais intensa e uma rigidez. Ela procurou atendimento médico, mas o problema não foi identificado de imediato. A confirmação só ocorreu após a realização de um ultrassom Doppler e de exames de sangue.
De acordo com o ortopedista e traumatologista Carlos Eduardo Viterbo, o quadro é resultante de lesões musculares extensas. Na prática, ocorre quando há rompimento das fibras, que liberam certas substâncias no sangue. Em níveis mais elevados, elas podem ser tóxicas, como é o caso da enzima creatina fosfoquinase (CPK).
No caso de Juliana, o nível das enzimas estava acima de 19 mil unidades por litro (U/L). O comum é que fique na casa dos 135 U/L. "Quando esses componentes caem no sangue em uma quantidade muito alta, o corpo não dá conta de filtrar e, em casos mais graves, pode causar até uma falência renal", destaca o médico.
Por conta disso, é preciso buscar apoio médico o mais rápido possível. "Após o diagnóstico, o paciente costuma ficar internado para ter o acompanhamento do quadro renal e para que tenha todo o suporte necessário, tanto renal quanto de hidratação. Em quadros mais severos, o paciente pode precisar de diálise."
Segundo Viterbo, o acompanhamento hospitalar busca evitar que o dano agudo evolua para insuficiência renal aguda, condição que pode ser fatal. Em situações extremas, há risco de sequelas renais permanentes, embora isso seja raro.
Os principais sintomas e o tratamento da rabdomiólise
Para receber o tratamento adequado, é importante ficar atento a certos sinais. Além das dores, que costumam ser mais intensas e incapacitantes, e dos inchaços pelo corpo, é possível sentir cansaço. Mas a pista mais chamativa diz respeito à cor da urina: em geral, o xixi de quem tem rabdomiólise fica mais escuro, com um tom amarronzado (como o de café ou refrigerante de cola) ou vermelho.
Em casos mais brandos, o corpo pode conseguir lidar com a lesão sem que a urina chegue a escurecer, mas a dor intensa ainda vai estar presente.
De modo geral, o tratamento inclui a administração de líquidos de forma intravenosa, com o objetivo de prevenir e tratar a lesão renal aguda. A hidratação ajuda a proteger os rins e a eliminar as substâncias liberadas pelos músculos na corrente sanguínea.
"Exercícios são fundamentais. Eles previnem e tratam diversas outras doenças", frisa Viterbo. "O alerta não é no sentido de as pessoas deixarem de se exercitar, mas que fiquem atentas a possíveis sintomas." Isso acelera o diagnóstico e o tratamento.
Quadro merece atenção no carnaval
Embora a rabdomiólise seja mais associada a exercícios intensos, como CrossFit, musculação ou corrida, ela pode acontecer após qualquer atividade que demande esforço muscular — o carnaval é um exemplo.
Segundo Viterbo, passar o dia inteiro em pé ou caminhar longas distâncias (como acontece ao seguir um bloco) exige um esforço físico capaz de levar à lesão muscular, especialmente em pessoas sedentárias ou que não estão acostumadas com esse nível de atividade.
O consumo intenso de álcool, de acordo com ele, também pode aumentar o risco de desenvolver o quadro, já que a substância tem efeito diurético e favorece a desidratação.