Do silêncio ao palco: Giovanna Andreo e a arte de viver com propósito

A obra utiliza a experiência pessoal da autora — que enfrentou o diagnóstico de surdez neurossensorial bilateral progressiva após duas décadas de carreira — para refletir sobre a pressa contemporânea e a necessidade de viver com autenticidade

19 fev 2026 - 21h35

A trajetória da cantora e musicista Giovanna Andreo ganha um novo e inspirador capítulo com o lançamento de seu livro, Propósito enCANTA - Uma jornada de reconexão, intenção e resultado. Publicada pela DVS Editora, a obra utiliza a experiência pessoal da autora — que enfrentou o diagnóstico de surdez neurossensorial bilateral progressiva após duas décadas de carreira — para refletir sobre a pressa contemporânea e a necessidade de viver com autenticidade. O diagnóstico, recebido em 2014, não apenas alterou sua percepção do som, mas forçou um luto pelo controle do futuro, impulsionando uma investigação profunda sobre onde reside o sentido da vida quando as urgências do cotidiano parecem abafar a essência.

Conheça "Propósito enCANTA", livro de Giovanna Andreo que narra sua jornada após a perda da audição
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Foto: Divulgação / Bons Fluidos

Giovanna Andreo

Longe de oferecer clichês motivacionais, Giovanna propõe um reposicionamento interno pautado na presença e na entrega. Provoca o que ela chama de "coceiras boas": incômodos que tiram o leitor da zona de conforto e o conduzem à ação. Atualmente, a musicista utiliza a vibração dos sons para se guiar nos palcos. Tal experiência que já a levou a se apresentar no Rock in Rio.

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Giovanna defende que o propósito não é sobre superar adversidades de forma heroica, mas sim sobre abandonar o hipercontrole e manter a coerência entre sentir e agir. A filosofia central do livro explora a etimologia da palavra "encantar" (in-cantare, ou cantar dentro), reforçando que "ter propósito é manter viva a música interna, mesmo quando o mundo externo parece desafinado".

Ao longo das páginas, a autora une neurociência e vivência artística para discutir dilemas modernos. Entre eles, o excesso de estímulos digitais, o medo de estar perdendo algo (FOMO) e a ilusão da multitarefa. Dessa forma, ela lembra que, embora possamos fazer várias coisas ao mesmo tempo, jamais seremos multifocais.

Por fim, a obra não se apresenta como uma solução para eliminar dores ou desafios. No entanto, é um guia prático para quem deseja abandonar o modo automático. É um convite para escutar o silêncio com intenção. Para transformar as mudanças de cenário em matéria-prima para uma vida consciente, verdadeira e, acima de tudo, significativa.

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