Narges Mohammadi, premiada com o Nobel da Paz de 2023 enquanto estava na prisão, recebeu novas sentenças por conspiração e conluio, entre outras acusações. Seus apoiadores descrevem o processo como uma farsa.O Irã condenou a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, Narges Mohammadi, a mais sete anos e meio de prisão, informou neste domingo (08/02) seu advogado.
A ativista dos direitos das mulheres - que já havia sido presa e condenada em outras ocasiões - voltou a ser detida em dezembro do ano passado, quando foi apreendida junto com vários outros ativistas em uma cerimônia em memória do advogado Khosrow Alikordi, que foi encontrado morto em circunstâncias nebulosas. O jurista defendia clientes em casos delicados, incluindo pessoas presas na repressão aos protestos que eclodiram em todo o Irã em 2022.
Mohammadi, de 53 anos, recebeu permissão para sair temporariamente da prisão em dezembro de 2024. Ela havia sido presa em 2021, sendo mantida sob custódia na prisão de Evin, em Teerã, e já foi condenada seis vezes a penas que somam mais de 30 anos de prisão, além de 154 chibatadas, entre outros castigos. Desde o final dos anos 1990, ela já foi detida pelo menos 13 vezes.
A notícia do aumento da pena surgiu após Mohammadi iniciar uma greve de fome. Na última segunda-feira, ela precisou ser levada a um centro médico devido ao seu estado de saúde delicado e, em seguida, retornou à prisão, informou a Fundação que leva o nome da ativista.
Apoiadores descrevem o processo como farsa
A Fundação Narges Mohammadi descreveu o processo judicial como uma farsa. Seu advogado, Mostafa Nili Mohammadi, afirmou em postagem no X que ela foi condenada a mais seis anos de prisão por conspiração e a um ano e meio por atividades de propaganda.
"Ela foi condenada a seis anos de prisão por 'conspiração e conluio', um ano e meio por propaganda, além de dois anos de proibição de viajar", escreveu. De acordo com a lei iraniana, as penas de prisão são cumpridas simultaneamente.
"A Sra. Mohammadi afirmou que foi hospitalizada há três dias devido ao seu estado de saúde precário e, posteriormente, retornou ao centro de detenção", disse o defensor, em declarações publicadas pela Fundação Narges Mohammadi.
"Além disso, quando ela começou a explicar os detalhes dos eventos recentes e a forma como foi presa, a ligação telefônica foi interrompida", contou.
Ativista dos direitos das mulheres
Os dois filhos gêmeos de Mohammadi receberam o Prêmio Nobel em Oslo em seu nome em 2023. Ela não os vê há mais de uma década. Em novembro, a ativista disse em uma mensagem que marcava o 19º aniversário de seus gêmeos, que havia sido permanentemente proibida de deixar o Irã.
Ela, no entanto, manteve a postura desafiadora fora da prisão, se recusando a usar o véu, discursando para públicos estrangeiros por meio de videoconferências e se reunindo com ativistas em todo o Irã.
Mohammadi também previu regularmente a queda do sistema clerical que governa o Irã desde a revolução islâmica de 1979.
A ativista já sofreu vários ataques cardíacos na prisão e passou por uma cirurgia de emergência em 2022, segundo seus apoiadores. Em novembro de 2024, seu advogado anunciou que os médicos encontraram uma lesão óssea que, segundo eles, poderia ser cancerígena, o que levou à cirurgia.
Apesar das condenações e da prisão, a ativista dos direitos humanos e das mulheres continuou a denunciar violações no Irã, incluindo a aplicação da pena de morte ou a violência contra mulheres que não usam o véu islâmico.
O Comitê Norueguês do Nobel atribuiu a distinção a Mohammadi em 2023 "por sua luta contra a opressão das mulheres no Irã e pela promoção dos direitos humanos e da liberdade para todos".
rc (AP, DPA)