OTAN reforça compromisso com defesa mútua ao fim de cúpula marcada por críticas de Trump

Os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) tentaram projetar uma imagem de unidade nesta quarta-feira (8), ao fim da cúpula da aliança em Ancara. Na declaração final, os 32 países reafirmaram o compromisso "inabalável" com a cláusula de defesa coletiva, principal dispositivo do tratado da organização. "Um ataque a um aliado é um ataque a todos", reafirma o texto conjunto.

8 jul 2026 - 14h10

Em relação à Ucrânia, os integrantes da OTAN também reiteraram seu "apoio inabalável" ao país, em guerra com a Rússia e que, segundo o comunicado, "contribui para a segurança transatlântica".

"Foi uma reunião muito boa. Havia muito amor no ar, muita unidade", declarou Donald Trump ao fim da cúpula.

Publicidade

O tom conciliador lembrou a reunião realizada em Haia, em 2025, quando Trump celebrou um "sucesso monumental" após os aliados concordarem em destinar ao menos 5% do Produto Interno Bruto (PIB) à segurança.

As declarações, porém, contrastaram com as críticas feitas poucas horas antes. Durante a cúpula, o presidente americano voltou a demonstrar insatisfação com a OTAN por considerar que os aliados não apoiaram os Estados Unidos na ofensiva contra o Irã.

Desde os ataques de Estados Unidos e Israel a Teerã, no fim de fevereiro, Trump tem criticado repetidamente parceiros europeus por se distanciarem do conflito. Também voltou a lamentar o fracasso de sua tentativa de anexar a Groenlândia.

O presidente americano ainda atacou duramente a Espanha, classificando o país como uma "causa perdida" e afirmando que os Estados Unidos poderiam encerrar as relações comerciais com Madri. Segundo Trump, o governo espanhol continua contribuindo menos do que deveria para os gastos de defesa da OTAN.

Publicidade

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, minimizou o episódio. Disse ter mantido um diálogo "cortês" com Trump e elogiou as relações "muito positivas" entre os dois países.

Questionado sobre as declarações do presidente americano, o francês Emmanuel Macron afirmou que "não ouviu essas críticas na sala" durante a reunião fechada dos chefes de Estado e de governo.

No comunidado conjunto, a França anunciou que vai contribuir para as Forças Terrestres Avançadas da OTAN, conhecidas como FLF Finlândia e lideradas pela Suécia, que visam fortalecer as capacidades de dissuasão contra a ameaça russa.

Vitória de Trump, segundo Rutte

"Estou aqui para preservar a unidade, ou pelo menos fazer o meu melhor para mantê-la", disse o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. Segundo ele, divergências entre aliados não devem ser discutidas publicamente.

Publicidade

Rutte também insistiu que existe "um compromisso total" dos Estados Unidos com a aliança e elogiou a pressão exercida por Trump para ampliar os investimentos em defesa.

"Sejamos honestos: o fato de o presidente Trump ter incentivado canadenses e europeus a gastar mais realmente ajudou. É uma grande vitória para o presidente americano", afirmou.

Munido de gráficos e indicadores, Rutte voltou a adotar a estratégia de demonstrar a Trump que os compromissos assumidos pelos aliados estão sendo cumpridos e que as cobranças de Washington por uma divisão mais equilibrada dos custos da defesa coletiva vêm produzindo resultados.

Entre os membros da aliança, cresce o consenso de que a OTAN precisa depender mais das capacidades militares europeias e menos dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, os diplomatas reconhecem que essa transição será longa e complexa, agravada pela estratégia de pressão adotada pela Casa Branca.

Publicidade

Mísseis Patriot

A guerra na Ucrânia também dominou parte das discussões. O encontro entre Trump e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi acompanhado de perto, poucos dias depois da conversa que o americano classificou como "muito boa" com Vladimir Putin.

Trump indicou que poderá autorizar Kiev a fabricar mísseis Patriot, considerados essenciais para interceptar os ataques balísticos russos.

O presidente americano também afirmou que os ataques ucranianos em território russo, embora representem uma escalada do conflito, poderiam, em última instância, contribuir para acelerar o fim da guerra.

Os países europeus reafirmaram o apoio militar à Ucrânia e, junto com o Canadá, prometeram fornecer € 70 bilhões em ajuda em 2026 e 2027. Desse total, € 30 bilhões serão destinados em cada um desses anos, recursos já antecipados pela União Europeia.

Ao encerrar a cúpula, Rutte anunciou que o próximo encontro da OTAN será realizado na Albânia, embora a data ainda não tenha sido definida.

Com AFP

Publicidade
A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se