Em relação à Ucrânia, os integrantes da OTAN também reiteraram seu "apoio inabalável" ao país, em guerra com a Rússia e que, segundo o comunicado, "contribui para a segurança transatlântica".
"Foi uma reunião muito boa. Havia muito amor no ar, muita unidade", declarou Donald Trump ao fim da cúpula.
O tom conciliador lembrou a reunião realizada em Haia, em 2025, quando Trump celebrou um "sucesso monumental" após os aliados concordarem em destinar ao menos 5% do Produto Interno Bruto (PIB) à segurança.
As declarações, porém, contrastaram com as críticas feitas poucas horas antes. Durante a cúpula, o presidente americano voltou a demonstrar insatisfação com a OTAN por considerar que os aliados não apoiaram os Estados Unidos na ofensiva contra o Irã.
Desde os ataques de Estados Unidos e Israel a Teerã, no fim de fevereiro, Trump tem criticado repetidamente parceiros europeus por se distanciarem do conflito. Também voltou a lamentar o fracasso de sua tentativa de anexar a Groenlândia.
O presidente americano ainda atacou duramente a Espanha, classificando o país como uma "causa perdida" e afirmando que os Estados Unidos poderiam encerrar as relações comerciais com Madri. Segundo Trump, o governo espanhol continua contribuindo menos do que deveria para os gastos de defesa da OTAN.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, minimizou o episódio. Disse ter mantido um diálogo "cortês" com Trump e elogiou as relações "muito positivas" entre os dois países.
Questionado sobre as declarações do presidente americano, o francês Emmanuel Macron afirmou que "não ouviu essas críticas na sala" durante a reunião fechada dos chefes de Estado e de governo.
No comunidado conjunto, a França anunciou que vai contribuir para as Forças Terrestres Avançadas da OTAN, conhecidas como FLF Finlândia e lideradas pela Suécia, que visam fortalecer as capacidades de dissuasão contra a ameaça russa.
Vitória de Trump, segundo Rutte
"Estou aqui para preservar a unidade, ou pelo menos fazer o meu melhor para mantê-la", disse o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. Segundo ele, divergências entre aliados não devem ser discutidas publicamente.
Rutte também insistiu que existe "um compromisso total" dos Estados Unidos com a aliança e elogiou a pressão exercida por Trump para ampliar os investimentos em defesa.
"Sejamos honestos: o fato de o presidente Trump ter incentivado canadenses e europeus a gastar mais realmente ajudou. É uma grande vitória para o presidente americano", afirmou.
Munido de gráficos e indicadores, Rutte voltou a adotar a estratégia de demonstrar a Trump que os compromissos assumidos pelos aliados estão sendo cumpridos e que as cobranças de Washington por uma divisão mais equilibrada dos custos da defesa coletiva vêm produzindo resultados.
Entre os membros da aliança, cresce o consenso de que a OTAN precisa depender mais das capacidades militares europeias e menos dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, os diplomatas reconhecem que essa transição será longa e complexa, agravada pela estratégia de pressão adotada pela Casa Branca.
Mísseis Patriot
A guerra na Ucrânia também dominou parte das discussões. O encontro entre Trump e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi acompanhado de perto, poucos dias depois da conversa que o americano classificou como "muito boa" com Vladimir Putin.
Trump indicou que poderá autorizar Kiev a fabricar mísseis Patriot, considerados essenciais para interceptar os ataques balísticos russos.
O presidente americano também afirmou que os ataques ucranianos em território russo, embora representem uma escalada do conflito, poderiam, em última instância, contribuir para acelerar o fim da guerra.
Os países europeus reafirmaram o apoio militar à Ucrânia e, junto com o Canadá, prometeram fornecer € 70 bilhões em ajuda em 2026 e 2027. Desse total, € 30 bilhões serão destinados em cada um desses anos, recursos já antecipados pela União Europeia.
Ao encerrar a cúpula, Rutte anunciou que o próximo encontro da OTAN será realizado na Albânia, embora a data ainda não tenha sido definida.
Com AFP