A entidade transformou a punição em uma suspensão condicional válida por um ano, permitindo que o artilheiro dos Estados Unidos disputasse as oitavas de final contra a Bélgica nesta segunda-feira.
Para o comissário europeu Glenn Micallef, responsável pelas questões esportivas na Comissão Europeia, "cabe às instâncias esportivas, e não aos políticos, decidir as regras do esporte". Em mensagem na rede X, ele afirmou que "exercer influência sobre decisões esportivas comprometeria a autonomia do esporte".
Many football fans, including former players, have already spoken out about the suspension of @balogun. As a fan, I too believe it was the wrong decision.
This said, I have always been clear. Decisions on sporting rules and sporting matters belong to sporting bodies, not…
— Glenn Micallef (@GlennMicallef) July 6, 2026
"A política não tem lugar dentro de campo", declarou também nesta segunda a secretária de Estado dos Esportes da Alemanha, Christiane Schenderlein. Na mesma linha, a Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) afirmou que a Fifa "ultrapassou uma linha vermelha" e tomou uma decisão "sem precedentes, incompreensível e injustificável".
"O futebol, como qualquer outro esporte, baseia-se em regras que são o fundamento de uma competição justa, honesta e transparente. Em alguns casos, as regras estão sujeitas a interpretação. Neste caso, não estão", afirmou a entidade.
A Uefa não mencionou o telefonema de Trump a Infantino, mas citou os regulamentos. "Uma suspensão automática mínima de uma partida após um cartão vermelho não é uma opção deixada ao critério das instâncias esportivas e não exige decisão de um órgão competente para ser aplicada", destacou.
Para a Uefa, a suspensão de Balogun para a partida contra a Bélgica deveria ser mantida por se tratar de um princípio previsto nos regulamentos, que não admite exceções, já que outros jogadores do torneio passaram pela mesma situação.
UEFA statement on the Balogun case: ⬇️https://t.co/9LQDx8waKe
— UEFA (@UEFA) July 6, 2026
Decisão cria precedente, diz Uefa
Segundo a entidade, quando a aplicação das regras deixa de ser garantida por quem tem a responsabilidade de protegê-las, "a integridade do jogo e a credibilidade da competição ficam comprometidas". A decisão da Fifa, acrescentou a Uefa, cria um precedente que pode levar à adoção do mesmo tratamento em casos semelhantes durante a Copa do Mundo, o que pode prejudicar a competição.
Trump agradeceu à Fifa por ter revertido a suspensão de Balogun. Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano afirmou que a entidade "fez o que era certo" ao corrigir uma "grande injustiça". Balogun havia sido expulso na partida contra a Bósnia e Herzegovina por pisar na perna do defensor Tarik Muharemovic após uma disputa aérea. Na sexta-feira, o atacante afirmou à imprensa que só lhe cabia aceitar o cartão vermelho.
A federação belga de futebol afirmou ter sido "surpreendida" pela medida e informou que estuda possíveis ações em resposta. O ministro das Relações Exteriores da Bélgica, Maxime Prévot, classificou a decisão da Fifa como "incompreensível" e também questionou a intervenção política de Donald Trump. "Se realmente foi uma ligação telefônica que explica essa decisão incompreensível, isso significaria desrespeitar as regras mais elementares do futebol e do esporte", afirmou em comunicado.
"Seria muito grave. Como a Fifa poderia continuar defendendo o fair play com credibilidade?", questionou. Já o primeiro-ministro belga, Bart De Wever, preferiu recorrer ao humor. Em uma publicação no Instagram, usou seu gato cinzento, Maximus, para ironizar a polêmica. "Cartão vermelho? Mesmo assim vou jogar!", escreveu na legenda de uma foto em que o animal aparece segurando um cartão vermelho com a pata.
Copa do Mundo e política
Não é a primeira vez que a política entra em campo durante uma Copa do Mundo. Em 1934, o regime fascista de Benito Mussolini utilizou o Mundial disputado na Itália como instrumento de propaganda política.
Quatro anos depois, após a anexação da Áustria pela Alemanha nazista, jogadores austríacos foram obrigados a defender a seleção alemã, enquanto a Itália conquistava o título sob pressão de Mussolini, que teria enviado à equipe a mensagem "Vencer ou morrer".
Em 1978, a Copa realizada na Argentina durante a ditadura de Jorge Rafael Videla foi marcada por suspeitas de corrupção após a goleada por 6 a 0 sobre o Peru, resultado que classificou os argentinos para a final e garantiu o primeiro título mundial do país.
Em 1982, o xeque Fahad al-Ahmed al-Sabah, presidente da Federação de Futebol do Kuwait e irmão do emir do país, entrou em campo durante a partida entre França e Kuwait para protestar contra um gol francês, que acabou sendo anulado pelo árbitro. Agora, a decisão da Fifa de reverter a suspensão de Balogun após a intervenção de Trump coloca novamente em debate a influência política sobre as competições esportivas internacionais.
Com agências