Europeus denunciam decisão da Fifa de anular cartão de Balogun após ligação de Trump

A União Europeia (UE), a Uefa e líderes europeus criticaram nesta segunda-feira (6) a decisão da Fifa de revogar a suspensão aplicada ao atacante americano Folarin Balogun, que tomou um cartão vermelho na quinta-feira (2). O cancelamento da punição, anunciado no domingo (5), teria ocorrido após um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ligou para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, segundo o jornal The New York Times.

6 jul 2026 - 10h52

A entidade transformou a punição em uma suspensão condicional válida por um ano, permitindo que o artilheiro dos Estados Unidos disputasse as oitavas de final contra a Bélgica nesta segunda-feira.

Para o comissário europeu Glenn Micallef, responsável pelas questões esportivas na Comissão Europeia, "cabe às instâncias esportivas, e não aos políticos, decidir as regras do esporte". Em mensagem na rede X, ele afirmou que "exercer influência sobre decisões esportivas comprometeria a autonomia do esporte".

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"A política não tem lugar dentro de campo", declarou também nesta segunda a secretária de Estado dos Esportes da Alemanha, Christiane Schenderlein. Na mesma linha, a Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) afirmou que a Fifa "ultrapassou uma linha vermelha" e tomou uma decisão "sem precedentes, incompreensível e injustificável".

"O futebol, como qualquer outro esporte, baseia-se em regras que são o fundamento de uma competição justa, honesta e transparente. Em alguns casos, as regras estão sujeitas a interpretação. Neste caso, não estão", afirmou a entidade.

A Uefa não mencionou o telefonema de Trump a Infantino, mas citou os regulamentos. "Uma suspensão automática mínima de uma partida após um cartão vermelho não é uma opção deixada ao critério das instâncias esportivas e não exige decisão de um órgão competente para ser aplicada", destacou.

Para a Uefa, a suspensão de Balogun para a partida contra a Bélgica deveria ser mantida por se tratar de um princípio previsto nos regulamentos, que não admite exceções, já que outros jogadores do torneio passaram pela mesma situação.

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Decisão cria precedente, diz Uefa

Segundo a entidade, quando a aplicação das regras deixa de ser garantida por quem tem a responsabilidade de protegê-las, "a integridade do jogo e a credibilidade da competição ficam comprometidas". A decisão da Fifa, acrescentou a Uefa, cria um precedente que pode levar à adoção do mesmo tratamento em casos semelhantes durante a Copa do Mundo, o que pode prejudicar a competição.

Trump agradeceu à Fifa por ter revertido a suspensão de Balogun. Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano afirmou que a entidade "fez o que era certo" ao corrigir uma "grande injustiça". Balogun havia sido expulso na partida contra a Bósnia e Herzegovina por pisar na perna do defensor Tarik Muharemovic após uma disputa aérea. Na sexta-feira, o atacante afirmou à imprensa que só lhe cabia aceitar o cartão vermelho.

A federação belga de futebol afirmou ter sido "surpreendida" pela medida e informou que estuda possíveis ações em resposta. O ministro das Relações Exteriores da Bélgica, Maxime Prévot, classificou a decisão da Fifa como "incompreensível" e também questionou a intervenção política de Donald Trump. "Se realmente foi uma ligação telefônica que explica essa decisão incompreensível, isso significaria desrespeitar as regras mais elementares do futebol e do esporte", afirmou em comunicado.

"Seria muito grave. Como a Fifa poderia continuar defendendo o fair play com credibilidade?", questionou. Já o primeiro-ministro belga, Bart De Wever, preferiu recorrer ao humor. Em uma publicação no Instagram, usou seu gato cinzento, Maximus, para ironizar a polêmica. "Cartão vermelho? Mesmo assim vou jogar!", escreveu na legenda de uma foto em que o animal aparece segurando um cartão vermelho com a pata.

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Trump ligou para presidente da Fifa, segundo o jornal The New York Times.
Trump ligou para presidente da Fifa, segundo o jornal The New York Times.
Foto: RFI

Copa do Mundo e política

Não é a primeira vez que a política entra em campo durante uma Copa do Mundo. Em 1934, o regime fascista de Benito Mussolini utilizou o Mundial disputado na Itália como instrumento de propaganda política.

Quatro anos depois, após a anexação da Áustria pela Alemanha nazista, jogadores austríacos foram obrigados a defender a seleção alemã, enquanto a Itália conquistava o título sob pressão de Mussolini, que teria enviado à equipe a mensagem "Vencer ou morrer".

Em 1978, a Copa realizada na Argentina durante a ditadura de Jorge Rafael Videla foi marcada por suspeitas de corrupção após a goleada por 6 a 0 sobre o Peru, resultado que classificou os argentinos para a final e garantiu o primeiro título mundial do país.

Em 1982, o xeque Fahad al-Ahmed al-Sabah, presidente da Federação de Futebol do Kuwait e irmão do emir do país, entrou em campo durante a partida entre França e Kuwait para protestar contra um gol francês, que acabou sendo anulado pelo árbitro. Agora, a decisão da Fifa de reverter a suspensão de Balogun após a intervenção de Trump coloca novamente em debate a influência política sobre as competições esportivas internacionais.

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Com agências

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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