Ao receber o papa Leão XIV em Buenos Aires, o presidente Javier Milei homenageou o falecido papa Francisco, classificando seu antigo desafeto como o argentino mais importante da história. O evento marcou o fim de um hiato de 39 anos sem a visita de um pontífice ao país. Milei, que no passado fez duras ofensas a Jorge Bergoglio, pediu orações pela Argentina e defendeu a reconstrução moral da nação com base nas Escrituras, durante a segunda etapa do giro sul-americano do atual líder da Igreja.
O presidente da Argentina, Javier Milei, homenageou o papa Francisco, seu antigo desafeto, ao discursar diante de Leão XIV neste domingo (8), durante um encontro com autoridades políticas, membros da sociedade civil e representantes do corpo diplomático em Buenos Aires.
"Hoje começam dias de grande alegria para os católicos, para os não crentes e para aqueles que são de outros países. Quero lembrar imediatamente do nosso amado papa Bergoglio, o argentino mais importante da nossa história e o primeiro papa sul-americano, uma figura excepcional que inspirou a todos. Ele não está fisicamente entre nós, mas ele é imortal no céu e em nossa memória", disse Milei em seu discurso.
Quando ainda era candidato a presidente, o ultraliberal chegou a definir Francisco, cujo pontificado ficou marcado pelo forte teor social e pela condenação das desigualdades econômicas, como "representante do maligno na Terra", "imbecil" e "comunista".
No entanto, após chegar ao poder, moderou o discurso e passou a evitar críticas contra Jorge Bergoglio. Depois da morte do pontífice argentino, em abril de 2025, Milei revelou que havia se desculpado com o compatriota pelas ofensas.
A cerimônia em Buenos Aires foi realizada cerca de duas horas depois da chegada do atual chefe da Igreja Católica à capital argentina, encerrando um hiato de 39 anos sem que um pontífice pisasse no país.
O último havia sido São João Paulo II, em 1987, enquanto Francisco, durante os 12 anos de seu pontificado, evitou voltar à sua pátria por temor de que sua presença fosse explorada para fins políticos.
'Reze pela Argentina'
Em seu pronunciamento, Milei afirmou ainda que os argentinos são um "povo de fé que mantém a esperança diante de adversidades e encontra na força a coragem para recomeçar".
"Por essa razão, a visita de Sua Santidade Leão XIV eleva espiritualmente todos os argentinos. As Sagradas Escrituras são a grande escola moral da nossa civilização ocidental. O fundamento moral que nos une a todos, inclusive aqueles que não praticam nenhuma religião, é constituído pelos seus ensinamentos", acrescentou o presidente.
Além disso, pediu que o Papa ?reze pela Argentina?. ?Precisamos disso?, salientou o ultraliberal, destacando que pretende construir uma nação ?fundada na rocha, e não na areia?.
?Uma parábola muito valiosa, sobre a qual refleti nesta semana, é a dos dois alicerces. Jesus nos conta que dois homens construíram sua casa: um, prudente, a fez sobre a rocha; o outro, insensato, a edificou sobre a areia. A casa construída sobre a areia foi mais fácil e rápida de construir, porque é simples lançar os alicerces. Mas, quando veio a chuva, os rios transbordaram e os ventos sopraram, e somente a casa fundada sobre a rocha permaneceu de pé?, disse.
Antes do encontro com autoridades e diplomatas, Milei e Leão XIV tiveram uma reunião de cerca de meia hora a portas fechadas na Casa Rosada. O presidente também recebeu o Papa na pista do Aeroparque Jorge Newbery.
A Argentina é a segunda etapa do giro sul-americano de Robert Prevost, que teve início no Uruguai e será encerrado no Peru, país onde ele foi missionário e bispo por mais de duas décadas e do qual tem cidadania.