As autoridades mexicanas e a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos rejeitaram nesta terça-feira uma reportagem da CNN que informava que agentes da CIA participaram diretamente de ataques fatais contra alvos de cartéis no México no último ano.
A reportagem da CNN, divulgada mais cedo nesta terça-feira e citando fontes anônimas, disse que a CIA aumentou suas operações secretas no México por meio da unidade de elite Ground Branch da agência. Essa atividade inclui a participação direta em assassinatos seletivos, informou a CNN.
"O governo mexicano rejeita categoricamente quaisquer versões (de eventos) que busquem normalizar, justificar ou sugerir a existência de operações letais, secretas ou unilaterais por parte de agências estrangeiras em solo mexicano", disse o ministro da Segurança, Omar García Harfuch, no X.
A CIA, por meio de uma postagem no X da porta-voz Liz Lyons, disse sobre a reportagem da CNN: "Esta é uma reportagem falsa e sensacionalista que serve apenas como uma campanha de relações públicas para os cartéis e coloca vidas americanas em risco".
A presença de agentes da CIA no México tem prejudicado o relacionamento bilateral nas últimas semanas.
Em 19 de abril, duas autoridades norte-americanas morreram em um acidente de carro no Estado de Chihuahua, no norte do país, após retornarem de uma operação de segurança mexicana para desmantelar um laboratório de drogas. Três fontes disseram à Reuters que as autoridades eram agentes da CIA.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, disse que o governo federal não sabia que os funcionários norte-americanos estavam envolvidos na operação e afirmou aos EUA que a participação não autorizada de funcionários norte-americanos não deve se repetir.
A presença de autoridades dos EUA em operações anticartel é um assunto profundamente sensível no México. Há muito tempo, Sheinbaum afirma que aceita o compartilhamento de inteligência e a cooperação de segurança, mas não aceita que agentes ou forças dos EUA participem de operações em território mexicano.
Por outro lado, o presidente dos EUA, Donald Trump, tem pedido repetidamente um maior uso da força militar dos EUA para combater os cartéis mexicanos e ameaçou que os EUA poderiam agir sozinhos se Washington achar que o México não está fazendo o suficiente.