A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, descartou disputar a presidência do país e afirmou que seu foco é concluir o mandato e buscar a reeleição como chefe de governo em 2027. Em entrevista, a líder defendeu a legitimidade de nomes conservadores ocuparem a chefia de Estado e criticou a resistência da esquerda. Para o próximo pleito, Meloni rejeitou alianças com a extrema-direita de Roberto Vannacci, enquanto a oposição articula uma frente ampla progressista para enfrentá-la nas urnas.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que o cargo de presidente do país não está em seus planos e garantiu estar totalmente concentrada na conclusão de seu mandato como chefe de governo.
Embora tenha descartado a intenção de pleitear o posto atualmente ocupado por Sergio Mattarella, a líder italiana não escondeu o objetivo de permanecer no comando do Executivo após as eleições de 2027.
"Estou totalmente concentrada em concluir este mandato com êxito e em pedir ao povo italiano que renove sua confiança em mim por mais cinco anos. A presidência não está nos meus planos. Dito isso, é difícil entender por que a ideia de que uma figura com histórico conservador possa, um dia, aspirar a esse cargo deveria causar tamanho escândalo", declarou Meloni em trecho de entrevista concedida ao novo livro do jornalista Bruno Vespa, com lançamento previsto para esta segunda-feira (2).
A premiê, de 49 anos, defendeu ainda que a chefia de Estado não deve ser prerrogativa da centro-esquerda e classificou a resistência a nomes conservadores no posto como uma forma de "racismo cultural".
"E quem disse que, para ser um excelente presidente, é preciso, necessariamente, vir da centro-esquerda? Considero esse 'racismo cultural' absolutamente intolerável; e isso, muitas vezes, vem de pessoas que, na juventude, torciam pela União Soviética. As crises histéricas que a esquerda vivencia sempre que surge a possibilidade de uma maioria de centro-direita indicar o próximo presidente dizem muito sobre a visão patrimonialista que eles têm de nossas instituições", pontuou.
Em outra passagem da obra "História da Segunda República: De Berlusconi a Meloni, de Prodi a Schlein", Meloni analisou que os eleitores "são mais maduros do que a classe política" e sabem "distinguir o escopo de cada pleito e seus desafios específicos".
"Veremos tentativas de agitar o habitual fantasma da 'ameaça à democracia'. O 'alarme antifascista' não funcionou em 2022 e será ainda menos eficaz em 2027. Além disso, após estes anos de gestão, nenhum italiano intelectualmente honesto pode sustentar que o atual governo tenha restringido qualquer liberdade", completou.
Recentemente, Meloni descartou a composição de uma aliança com o general de extrema-direita Roberto Vannacci para o pleito de 2027, reiterando a intenção de solicitar um mandato direto dos cidadãos, sem ficar "refém" de pressões políticas internas.
Em contrapartida, as principais lideranças da oposição italiana estruturaram um cronograma para a articulação de uma frente ampla progressista com o objetivo de enfrentar a coalizão governista da primeira-ministra nas urnas. .